Pages

Mostrando postagens com marcador Santos. Mostrar todas as postagens

Intolerância: A Guerra Virtual

Por Benny C. Filho e Lethícia Gabriela
Edição: Vinícius Tognetti

Em tempos em que a maior parte da população mundial tem acesso à internet, encontramos diariamente ofensas e xingamentos gratuitos, em blogs, sites e principalmente nas mídias sociais. O que parece ser um espaço democrático é, muitas vezes, uma praça de guerra virtual, onde o outro parece não ter direito a opinião contrária. 


Foto: Fábio Prado
Estudos mostram que o número de páginas denunciadas, no Brasil, por causa da intolerância, cresceu 200% em apenas um ano. Mas até que ponto o ódio compartilhado no mundo virtual pode afetar o real? O que nós podemos fazer quando nos depararmos com situações de intolerância na internet? Nesta reportagem, confira essas e outras respostas sobre o tema.

Haters
Provavelmente você já se deparou com uma situação de intolerância na internet. Preconceito e discriminação marcam presença diária nos sites, blogs e nas redes sociais. Se antes existiam as manifestações de intolerância na base do “olho no olho”, hoje o aparente anonimato, atrás de uma tela e um teclado parece facilitar o trânsito das ofensas. 

Assim, os haters (palavra da moda para definir os “odiadores”, que criticam tudo e todos, sem muito critério) ganham cada vez mais espaço em nossa timeline com troca de insultos e comentários maldosos. 

Se a intolerância digital atinge até famosos, como o casal de atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, alvo de muitos xingamentos depois que adotaram a pequena Titi, do Malawi, na África, imagine um pacato cidadão que muitas vezes desconhece seu legítimo direito de reagir pelas vias legais. O que mais chocou os envolvidos na “Operação Gagliasso” é que uma das autoras das ofensas era uma adolescente negra de 14 anos. A garota criou um perfil falso achando que não seria descoberta. Outros sete haters foram identificadas no caso.

A força e a velocidade de disseminação da internet motiva os ataques dos tais “odiadores”. Para a psicóloga e professora de psicologia da Unisanta, Sandra Bezerra, esse ódio muitas vezes só é revelado na rede. Talvez na vida real, ele nem fosse mostrado. Até porque, com base na psicologia analítica, as pessoas teclam de forma automática, não existe reflexão nos comentários. “Quando vemos uma imagem na internet, reagimos automaticamente, quase instintivamente. Em casos extremos, o hater nem sabe o motivo que o levou à agressão”, analisa. 

De acordo com a psicóloga Luci Mara Lundin, pós-graduada em Desenvolvimento Humano,  existe uma certa obrigação do ser humano em emitir alguma opinião, mesmo sem ter conhecimento suficiente. 
O número de casos de intolerância na web subiu de 16.600 para 26.800 em apenas um ano.
O racismo lidera o ranking
Foto: Fábio Prado
Números 
Alguns dados comprovam que a marcha dos haters avança pelo ciberespaço. De acordo com dados da SaferNet, ONG dedicada à defesa de direitos na internet, nos últimos três anos o número de páginas denunciadas por divulgar conteúdo de intolerância cresceu mais de 200% no Brasil. Entre 2013 e 2014, só no Facebook (onde ocorre quase metade desse tipo de denúncia), o número de casos saltou de 16.600 para 26.800. O racismo lidera o ranking, com 12 mil denúncias. 

Nas redes brasileiras, questões políticas dominam as manifestações de intolerância, com quase 220 mil menções, ou seja, mais da metade das publicações analisadas. O número é quatro vezes superior aos ataques de misoginia (ódio ou aversão às mulheres), que aparecem em segundo lugar. O Rio de Janeiro é o estado com maior volume de postagens intolerantes no país, seguido por São Paulo e Minas Gerais.

Casos e mais casos
De acordo com o advogado José Chiarella, especialista em direito digital e telecomunicações, a maioria dos casos atendidos por ele envolve adultos e tem relação com falsidade ideológica. São os chamados fakes.

Um deles aconteceu recentemente com uma jovem da Baixada Santista que teve suas fotos pessoais publicadas sem autorização em uma página do Facebook que aplicava golpes. Eles vendiam produtos, mas não entregavam. Foi uma amiga da moça quem estranhou o post e a alertou a vítima sobre o fato, mas já era tarde. As pessoas lesadas descobriram a página da moça, que sofreu na pele a hostilidade virtual, com muitos xingamentos e ameaças. Ela registrou boletim de ocorrência e a polícia investiga o caso.

Ainda de acordo com o advogado, também presidente da Comissão de Educação Digital da OAB Santos, o que mais preocupa é o cyberbullying, muito comum entre crianças e adolescentes. A exposição do colega de escola ou de trabalho a uma situação vexatória, com frases ofensivas e até divulgação de fotos íntimas, chamadas nudes, estão entre os casos de maior repercussão. 

Em um outro episódio envolvendo pornografia, uma mulher teve sua imagem divulgada em um site de relacionamento sexual. Pegaram uma foto em que ela aparece com o pai, em uma festa de fim de ano. Cortaram e mudaram completamente a conotação da foto colocando-a de meio corpo em uma situação comprometedora. Além disso, ainda publicaram com o nome verdadeiro da vítima. O site foi obrigado a retirar imediatamente as fotos e foi julgado como corresponsável, por permitir a publicação de fotos indevidas na página. 

Aos olhos da Lei
Casos que aconteceram na internet também são de responsabilidade da Polícia Civil. Em Santos, a delegada Edna Pacheco Fernandes Garcia, do Núcleo Especial Criminal (Necrim), trabalha tentando solucionar pequenas causas registradas na cidade. “Mesmo que para muitos a internet signifique máscara ou camuflagem, não é bem assim. Hoje em dia, tudo pode ser prova”, esclarece. 
Embora não exista ainda uma lei específica para punir todos os crimes praticados na internet, ofensas e crimes contra a honra, como injúria, calúnia e difamação são passíveis de punição, pois estão previstos no Código Penal.

A lei Carolina Dieckmann (12.737/12) entrou em vigor em 2013 após a atriz ter fotos íntimas divulgadas na internet, que foram copiadas de seu computador pessoal. A pena varia de três meses a um ano a quem, entre outros crimes, invadir dispositivos de informática a fim de obter dados particulares.

O famoso caso Fabiane de Jesus, que, em 2014, foi espancada até a morte por moradores de Guarujá também pode virar lei. Confundida com uma outra mulher acusada de praticar magia negra com crianças, Fabiane não teve tempo de se defender da notícia falsa espalhada pelas redes sociais. O projeto prevê aumentar em 1/3 a punição quando a incitação a crimes ocorrer pela internet ou por meio de comunicação de massa. A proposta já foi aprovada e deve ir ao plenário da Câmara Federal para votação.

Em Santos, um passeio pelos aromas e sabores do café


Este documentário é de responsabilidade dos alunos do 3º ano de Jornalismo da Universidade Santa Cecília - Unisanta:  Ana Claudia de Assunção Soares, Victória Silva, Larissa França, Michely Arashiro, Benny Brandão e Lethícia Gabriela.

Números explicam bom rendimento do Santos FC na temporada

Que o Santos FC é o clube com melhor aproveitamento (63,79%) e menos derrotas (12) entre os clubes brasileiros na temporada 2016, todos já sabem. Justamente em função disso, o centro de inteligência e analise de desempenho do clube buscou outros números que exemplificam a regularidade e o bom desempenho do Peixe no ano.

Foto: Ivan Storti / Santos FC
Passe é o fundamento mais trabalhado por Dorival Júnior
A equipe comandada pelo técnico Dorival Júnior é a melhor, ou está entre as quatro melhores equipes em oito aspectos analisados pelos profissionais da comissão técnica do Peixe, com base no Instat Football, software utilizado pelo clube para medir o desempenho dos atletas e do time, como um todo, no Campeonato Brasileiro deste ano. Nos quesitos posse de bola, tempo de troca de passes em uma ação ofensiva e passes para finalizações, o Peixe lidera.

No fundamento do passe, o Santos tem o melhor aproveitamento, ao lado do Corinthians. É o terceiro colocado nas disputas de bolas aéreas. Tem também a quarta colocação nas disputas corporais e na quantidade de gols marcados em jogadas de bola parada, além de ser a segunda equipe que menos sofreu tentos dessa forma. “É uma evolução muito grande. No inicio, buscávamos isso, uma melhora no aproveitamento dos passes, que consequentemente aumentaria a nossa posse de bola e alinhando tudo isso com uma chegada forte no gol do adversário. Todos os trabalhos, desde a pré-temporada foram voltados para isso. No ano passado, tínhamos 75% de aproveitamento no passe, hoje, temos 85%”, destaca o auxiliar técnico, Lucas Silvestre.

No aspecto individual, o Peixe também tem destaques. Victor Ferraz, com 1.549 e Renato, com 1.547 passes certos, estão entre os três jogadores com maior número e melhor aproveitamento de passes no Brasileirão. Já Lucas Lima é o atleta que mais deixa os companheiros em condição de concluir. Até o momento, foram 55 passes para finalizações.

O comandante Dorival Júnior, que está no clube há um ano e três meses, credita esse bom desempenho ao tempo de trabalho à frente do time: “Tudo é uma sequência de trabalho. Só agora você começa a ter uma ideia do quanto evoluímos, e o quanto ainda precisamos evoluir. Conseguimos detectar todos os problemas e iniciar um processo de recuperação, com soluções. O Santos FC está caminhando, se preparando para alcançar resultados ainda melhores do que os obtidos até o momento, que já considero bom. Com o surgimento de novos jogadores, crescimento do grupo como um todo, mostramos amadurecimento e regularidade dentro da temporada”, disse o treinador.


Ajude a ONG Viva Bicho Santos a salvar animais



Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 30 milhões de animais abandonados no Brasil. Destes, 20 milhões são cachorros e 10 são gatos. O cenário é desolador, mas existem pessoas que fazem de tudo para reverter a situação. É o caso da protetora Marilucy Pereira, que doa sua vida para cuidar de animais. Desde os 7 anos ela resgata animais de rua. Segundo ela, é uma vocação, “a pessoa tem que nascer protetora, pois acaba doando a vida para estes bichinhos”. 

Há quatro meses ela se juntou a outras quatro protetoras e juntas criaram a ONG Viva Bicho Santos, que já tem mais de duas mil curtidas na página do Facebook. Mesmo assim, ainda são mais conhecidas como protetoras individuais. “Ainda é o nosso Facebook pessoal que bomba. Mas estamos tentando migrar as pessoas para a página da ONG” explica a protetora. 



Os resgates de Marilucy, seja à frente da ONG ou não, só são possíveis por causa da ajuda de veterinários parceiros, padrinhos e outras pessoas que contribuem com dinheiro, medicamentos, alimentação e lar temporário para os animais, tudo para tirá-los da rua e tratá-los até o momento de uma nova adoção.

Recentemente, Marilucy recebeu uma denúncia de que animais com Cinomose, doença que requer um tratamento rápido, estavam abandonados no Centro de Controle de Zoonoses de Cubatão. Quando foi verificar, encontrou um cenário muito pior do que imaginava. 

Além dos animais que sofriam maus tratos, ela encontrou 21 cachorros enjaulados em um uma área de um metro quadrado. “Estes animais não saíam há cerca de cinco anos da jaula para nada, e o mesmo lugar onde eles eram alimentados, eles faziam as necessidades e dormiam. Todos eles ficaram loucos e completamente agressivos” conta a protetora.

Marilucy conseguiu resgatar oito deles, que estão sob seus cuidado. Se você é um amante dos animais e tem interesse em ajudar, entre em contato com a ONG Viva Bicho Santos ou com a Marilucy, pelas páginas do Facebook. 

Santos pós ressaca, no olhar caiçara



Não é a primeira vez neste que a ressaca em Santos provoca estragos. Parte das tradicionais muretas da orla da praia que são consideradas cartões-postais, foram destruídas por causa da força das ondas. O Deck dos Pescadores e as ruas da Ponta da Praia foram interditados. Carros quebrados pelas calçadas, árvores sem folhas por causa do forte vento e cheiro forte de maresia, subia facilmente para os narinas. De repente Santos estava sombrio, nublado e solitário. A cidade 013 que acordou com aquela forte ressaca, ficou totalmente acinzentada.





Atleta de Santos disputa Paralimpíada na modalidade Vôlei Sentado


Fabrício da Silva Pinto, 22 anos, é um dos atletas que representaram a Baixada Santista na seleção brasileira paraolímpica de vôlei sentado na Rio 2016. Fabrício, que nasceu com uma má formação no pé direito, já foi medalhista de ouro nos jogos Parapan-americanos de Toronto em 2015.






Nascido em Santos, o garoto começou a praticar futsal, basquete e vôlei aos sete anos. Na adolescência passou por uma cirurgia que o afastou dos esportes que exigem grandes esforços em pé. Uma juíza de vôlei, que viu Fabrício jogando em uma quadra convencional, sugeriu que ele praticasse o vôlei sentado e começasse a jogar pelo Sesi de Suzano.



 “Me superei em cada dificuldade encontrada. As operações eram doloridas, mas cada obstáculo se transformou em um desafio. Nunca desisto de nada, vou em frente e confio em Deus”, conta o garoto cheio de sonhos e alegre pelo esporte que lhe trouxe tantas conquistas, reforçando sempre o apoio de toda a família e amigos.



 A modalidade conquistou o 4° lugar na classificação geral, mas para Fabrício o mais importante foi representar o Brasil com a emoção de disputar, de forma inédita, uma paralimpíada no país que tanto ama. Fabrício não trouxe no peito uma medalha, mas carrega  a alegria de nunca desistir e de fazer uma bela limonada com o limão que a vida lhe ofereceu.








63% não sabem em quem votar para vereador


63% dos santistas não sabem em quem votar para vereador.

Se depender dos resultados da pesquisa espontânea de intenção de voto, realizada pelo Instituto Opinião Pesquisa, Análise e Consultoria, os candidatos à Câmara Municipal precisarão ainda de muito corpo a corpo com os eleitores. O levantamento mostrou que mais de 60% dos entrevistados não sabem em quem votarão na eleição deste ano para vereador, enquanto para prefeito o número é de 18%. O levantamento ouviu 400 pessoas entre os dias 19 e 22 de agosto. A margem de erro é de 4,9%.

Na era das redes sociais, os tradicionais santinhos de políticos e adesivos de carros ainda precisarão cumprir seu papel nas eleições municipais, como meio para tornar os candidatos mais conhecidos do público. Até porque, muitos dos outros tipos de propaganda estão proibidos. Por exemplo, candidatos não poderão fazer posts patrocinados na internet.

A Lei nº 13.165/2015, conhecida como Reforma Eleitoral 2015, promoveu importantes alterações nas regras das eleições deste ano. Um dos destaques é que os candidatos a vereador perderam direito ao tempo de propaganda no horário político no rádio e na TV, ficando limitados às inserções de 30 ou 60 segundos durante o dia. O período de propaganda nessas duas mídias também foi diminuído de 45 para 35 dias. Assim, a campanha terá dois blocos diários, com 10 minutos cada, exclusivo para os candidatos a prefeito.

O jornalista Marcos Augusto Ferreira destaca que a mudança na legislação eleitoral fará o corpo a corpo muito mais constante. “Os candidatos estarão mais presentes. Porém, isso não tem nada a ver com a adoção de um método mais democrático. O corpo a corpo ocorrerá por necessidade”, afirma. Ele, que já trabalhou em seis campanhas, tanto municipais quanto estaduais, acredita que não é possível saber se isso será uma tendência. “Será a primeira eleição com a nova lei e o processo ainda está em andamento”. 

Outra mudança que também trouxe desafios aos candidatos de 2016 é que o financiamento da campanha tem que ser bancado pelo próprio candidato, ou através de doações de pessoas físicas ou do fundo partidário.

João das Cobras, o curandeiro do Rádio Clube


Quando os sintomas aparecem, os moradores da Zona Noroeste, em Santos, já sabem a quem recorrer

João das Cobras está sentado em uma cadeira no seu quintal, enfiado em um jaleco verde, com seu chapéu de pescador. Do seu lado direito, uma caixa cheia de ervas em pacotinhos transparentes. À sua esquerda, a bengala fica apoiada em uma cadeira vazia, a espera de alguém em busca de cura ou simplesmente de uma boa prosa. Enquanto a visita não chega, ele faz palavras cruzadas no jornal, com um olhar pensativo e distante, enquanto saboreia uma xícara de chá.

João é um homem simples, que deixa a porta aberta para quem quiser entrar e conversar. Sua aparência é a de uma pessoa cansada, mas com um olhar que transmite carinho e paciência. Aposentado, ele só não consegue largar uma, entre as inúmeras profissões que já teve: a curandeiro. Até pouco tempo ele mantinha no terreno ao lado de casa um empório de ervas, plantas e sementes com poderes curativos. Mas a lojinha não está mais aberta. O dinheiro que entrava não cobria nem os custos. João resolveu fechar o estabelecimento, mas manteve as portas de sua casa abertas para que jamais faltasse uma possibilidade de socorro para aqueles que o procuram. 

Seu João das Cobras é uma dos personagens mais populares do Rádio Clube, Zona Noroeste de Santos. É curandeiro dos bons, já tratou muita pedra nos rins, muita doença ginecológica, tosse e o que mais aparecesse na sua porta. “Eu ia daqui até Praia Grande andando pra buscar um remédio no meio da mata. A minha satisfação é ver as pessoas curadas”.

O seu trabalho no dia a dia é bem parecido com o de um médico tradicional: o “paciente” chega, relata os sintomas, João faz algumas perguntas e sapeca uma receita que vai aliviar a angústia ou a dor do visitante. “Tenho medicamentos para quem não tem condições de comprar um remédio caro”, resume. Ele conta que nos tempos de fartura distribuía erva de graça na feira do Gonzaga. Por cinco anos manteve esse hábito. Muitos o julgavam como louco, mas ele só queria ajudar quem podia.

Até bem pouco, tudo que se passava no seu “consultório” era guardado na memória: o nome do paciente, a queixa, o remédio indicado. Hoje em dia João não consegue mais receitar sem lançar mão do que ele chama de “pai dos burros”, um caderninho que contém anotações de próprio punho, sobre todas as ervas e para quais problemas de saúde elas servem. “Remédio é uma coisa que a gente tem que dar direitinho, né”. 

Ele jura que não foi o peso de seus 79 anos que afetou a memória, mas sim um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que o acometeu 10 anos atrás. O AVC representou um momento trágico em sua vida, que fez um homem ativo ficar preso a uma cadeira de rodas por meses. Poderia ter sido pelo resto da vida, não fosse seu conhecimento sobre o poder da natureza selvagem. A incrível recuperação dos movimentos surpreendeu médicos e moradores do bairro.

Para as pessoas da região, era nítido que aquele homem não poderia estar andando tão bem e com todos os movimentos. A recuperação espantosa mostrou para todos que a casa bege, de portão prateado e com a calçada branca não era como a “casa de ferreiro, espeto de pau”. Pois foi graças ao uso que fez de suas folhas que João das Cobras melhorou e voltou rápido aos trabalhos.


As ervas não ajudaram apenas na sua recuperação física, mas também no seu emocional. Ele confessa que quando se viu internado em um hospital, ficou arrasado, mas depois de algumas horas uma enfermeira apareceu no seu leito e disse: “Não acredito que o senhor está aqui”, segundo sua memória essa gentil enfermeira era uma mulher que havia sido curada por ele, com um de seus chás.

“O senhor salvou o meu útero, agora vou cuidar do senhor como um rei”, teria dito a enfermeira para Seu João. A partir desse encontro, tratamento VIP ao enfermo mais famoso da Santa Casa, com direito a deliciosas sopas feitas especialmente para ele.

Trajetória

Apesar do seu talento com as plantas, João teve que lutar contra a resistência de sua família no interior de Mato Grosso. Seu pai, benzedeiro, não queria que João seguisse esse caminho e quando o garoto insistiu em continuar aprendendo a arte de conhecer o poder de cada folha, raiz ou semente, foi expulso de casa aos 14 anos de idade. O interesse por esse universo surgiu, pois ele morava em uma fazenda e tratava dos animais doentes com as ervas. Seu pai só descobriu que ele tinha começado a receitar ervas para os vizinhos, quando um deles apareceu na sua porta, para saber mais a respeito da raiz que João havia lhe receitado. 


Longe de casa, ele escolheu seguir carreira militar para se tornar médico, que era o seu sonho. Atuou como policial do exército por anos, mas não conseguiu seu sonhado diploma de medicina. Mesmo assim, lembra com carinho das histórias que viveu vestindo sua farda. 

O apelido “das Cobras” tem a ver com um hobby no mínimo bizarro: quando jovem, João se aventurava no meio da mata para caçar cobras. A primeira vez foi por acidente. Ele andava pela floresta com dois cachorros e um deles foi mordido por uma cobra. João sabia que o soro para curar seu cachorro teria que ser feito com o veneno da cobra que o atacou, e então ele se embrenhou na mata atrás da danada. Queria a cobra viva poder para sintetizar o antídoto. Ele salvou o cachorro e quis ajudar mais vítimas de mordidas de cobra.

Começou assim a fazer um serviço voluntário e de grande utilidade pública. Todos os espécimes que encontrava, levava para o Instituto Butantã. Em sua antiga loja de ervas, “Toca das Ervas”, João guardava amostras de muitas cobras que capturou. Jaracuçu, jararaca, cascavel e coral eram as mais procuradas. 

Nunca cobrou pelo serviço, assim como não cobra consulta daqueles que o procuram. No lugar de contabilizar os dividendos, ele prefere falar dos milhares de bebês que acredita ter ajudado a vir ao mundo. João perdeu as contas depois de 3.600. Sua maior recompensa são as fotos e lembranças trazidas pelas mães, uma prática comum nos consultórios dos obstetras e ginecologistas.

Saúde da mulher 











João das Cobras diz que mulher é um “bicho” que sofre demais. Ele tem pena delas e por isso pesquisou quais as melhores combinações de ervas para curar miomas, ovários policísticos, corrimentos e diversas doenças ginecológicas que muitas vezes interferem na fertilidade. Aroera da bahia, barbatimão e calêndula são algumas das ervas que ele mistura para fazer o seu famoso chá. Mas não só as mulheres se beneficiam do seu conhecimento. Em reportagem do jornal A Tribuna publicada em 13 setembro de 2009, ele diz que também tem estimulantes para homens. Ele avisa que, caso uma mulher se submeta aos seus tratamentos e não queira engravidar, deve tomar muita precaução, pois ficará mais fértil. 

Ele não faz essa ressalva por acaso, já que sua própria filha, Marília, pediu para o pai cuidar dos seus problemas ginecológicos, mas não seguiu seu conselho. Ficou grávida e, a princípio, não queria ter a criança, por isso escondeu a gravidez de João. Quando ele descobriu, disse que havia avisado e agora era unir a família e cuidar da criança. O neto, Andrey, de 11 anos, é grudado com o avô. Quando está por perto, ajuda o avô a pegar ervas no estoque ou simplesmente faz companhia, observando o movimento da rua. 

Uma de suas clientes mais satisfeitas é Carla Fraguas, de 42 anos. Ela jura de pé junto que só engravidou por causa do chá poderoso do seu João. Por estar com seus 32 anos na época e nunca ter engravidado – já havia tentado inúmeras vezes sem sucesso, foi a especialistas e descobriu que tinha um mioma - pensava que não poderia ter filhos. Ela estava em um relacionamento estável e sem contar nada para seu noivo, decidiu testar o chá do João das Cobras: “Não tive que esperar muito para ver o resultado, em menos de um mês soube que estava grávida do Raul”. 

Quem também tem o que falar sobre ele é o aposentado, Sadraque Vicente, de 47 anos. A pedido de sua esposa, que sofre com diabetes, ele procurou seu João. Como ouviu muitas histórias sobre João, a esposa de Vicente pediu para o marido procurar o curandeiro para ver se dava jeito de controlar sua doença. Para garantir total eficiência do novo tratamento, Vicente tirou inúmeras dúvidas sobre os métodos de uso e perguntou sobre a doença que acomete sua esposa. “O remédio dela não está mais fazendo efeito”. João entregou-lhe dos saquinhos transparentes, deu as instruções de uso e não cobrou pela consulta, nem pelo medicamento. 

Doenças sempre vão existir, mas para os moradores da Zona Noroeste a forma de tratamento pode ser bem diferente. Além de um diagnóstico e umas folhas de chá como remédio, os moradores também têm acesso fácil e garantido a uma boa prosa.

De salto alto

A Baixada Santista nunca foi tão glamurosa. Ser Drag Queen hoje dispensa ainda mais rótulos e o que vale é se jogar. Mais jovens do que nunca, rapazes se inspiram em divas da noite, fazem carão e lá se vai mais um rímel...

Não é novidade que as drag queens sempre chamaram a atenção pelo visual extravagante, e por isso mesmo brilham em festas da comunidade LGBT mundo a fora. Elas se destacam também pela pluralidade de atitudes: pode ser por mera experimentação, diversão, ato político e até como escudo para os tímidos, que se sentem empoderados quando se montam –aqui o verbo montar equivale a transformar-se, caracterizar-se como um personagem, como o próprio alter ego. Fato é que a arte de fazer drag nunca esteve tão presente na Baixada Santista. Sim é uma arte, segundo os adeptos. E detalhe: a maioria mergulhou no mundo das perucas, cílios gigantes e purpurina no início da vida adulta. 

Em algumas casas noturnas da cidade elas reinam soberanas. Mandam e desmandam. Muitas vezes marcam presença como VIPs, afinal ninguém resiste ao figurino fashionista à atitude descolada dessas divas da noite. Antes dos portões da Tribal Club, em Santos, serem abertos ao público elas fazem cena, tiram selfies com as pessoas da fila, mandam beijos e postam tudo em suas respectivas contas no Instagram. Celebridades em ascensão constante, as drags vêm assumindo personalidade de porta-vozes do movimento. 

Sob as camadas de pancake, litros de laquê e maquiagem pesada, escondem-se seres humanos em busca de respeito e muitas vezes reconhecimento profissional. Para isso apresentamos dois extremos: Rodrigo Oliveira, que topou o desafio da Viral e se montou pela primeira vez na vida; e Felippe Souza, exBianca DellaFancy, que prefere não ser mais uma das drags mais famosas da noite paulistana, mas acredita que deixou um legado. No meio disso tudo, Lorena Lauritzen, ou Pedro Henrique, que depois de um expediente no fim de semana em uma operadora de telemarketing, coloca todo mundo para dançar em troca de um dinheiro “extra”... A mãe, por sua vez, se sente muito orgulho do filho que tem.

De Rodrigo, a Jhennypher


Rodrigo Oliveira nasceu em São Paulo. Foi criado no Guarujá e agora, aos 22 anos, escolheu viver em Santos. Sem trabalho fixo e com os estudos interrompidos, ele faz a linha “dono de casa”. Quando não está ajeitando alguma coisa no apartamento que divide com o namorado, passa horas vendo e revendo as temporadas de RuPaul’s Drag Race, no Netflix. “Adoro! Conheço todas as participantes, e sei cada uma das frases e expressões usadas pela mama ru” (apelido do apresentador e idealizador do reality show de drag queens americanos). A série, nos moldes dos realities de aspirantes a modelo, já é sucesso no Brasil e tem um roteiro que busca humanizar os personagens.

Sua admiração pelo programa ultrapassa alguns obstáculos. Rodrigo assume que tem conflitos familiares quando o assunto é a sua orientação sexual, mas reforça que isso não o limita de seguir sua vida como pretende. Para esta pauta, a Viral precisava de um rapaz que nunca havia se montado. Ele aceitou de primeira, aliás, já escolheu até um nome cheio de consoantes para seu personagem: Jhennypher Lightwood.

Viral - Antes de receber o convite da revista, você já havia pensado em se transformar em drag queen?
Rodrigo - Em partes. Nunca tive vontade a ponto de tomar essa iniciativa sozinho. Eu já era assumidamente gay quando comecei a acompanhar RuPaul’s, e só assistia porque eu tinha muita curiosidade sobre o que acontecia no processo antes e depois da montagem. Foi meio gradativo. Aos poucos fui pensando mais na ideia de me montar. Eu já sou muito fã de divas pop, que de certa forma conversam com o mesmo público também. Assim, o convite para o ensaio chegou e eu me senti confiante para esse momento.

Como é a Jhennyfer Lightwood? Você seguiu os passos de alguém para traçar a personalidade de seu “novo você”? Sou hiper fã de Adore Delano, uma drag americana que canta muito bem. Eu vejo que existem drags queens de diversos estilos, e a Delano tem um visual mais “rock star”. Eu gosto disso, e fiz o possível para que a Jhennypher transparecesse essa imagem também. Sobre o nome… eu sinceramente não sei explicar [risos]. Eu criei esse nome com a ajuda de amigos e não vejo um significado específico para isso. O som ficou bom e eu adotei para minha drag.

Você se montou exclusivamente para o ensaio, mas no fundo não há vontade de sair na rua de Jhennypher? Para uma balada, talvez? Vamos por etapas [risos]. Eu, mesmo que brincalhão, sou muito tímido, e o ensaio já está sendo um grande passo para a desconstrução da minha vergonha. A maioria das pessoas em nosso país têm um pensamento ainda muito conservador, e eu me preocupo com isso. Quando vejo uma drag na balada fico empolgado, outras pessoas que não frequentam lugares ou não entendem a realidade das drags podem ser hostis.

Em relação aos amigos e ao namorado, como foi a recepção da notícia que você seria drag por um dia? A maioria dos meus amigos adoraram a ideia, pois trocamos figurinhas sobre RuPaul’s. Meu namorado apoiou bastante. É bom estar perto de pessoas que me apoiam assim de forma tão ampla. Fiquei decepcionado com um amigo que, quando soube, desdenhou da ideia de “querer ser mulher”, como ele disse. Bom, eu não quero ser mulher. Nunca quis. Esse pensamento é muito antigo. E certamente, as pessoas que são drags não querem ser o sexo oposto. São artistas, não? [risos].

Rainha da pista

Lorena Lauritzen (Arquivo pessoal)

Todo fim de semana é assim. Acaba o expediente de Pedro, de 19 anos, em uma operadora de telemarketing, e ele corre para o camarim do dia e prepara tudo para dar um show. Tem dias que é na Tribal, em Santos, em outros a balada rola na The Club, São Vicente. Até na Blue Space, da capital Paulista, ela já comandou a pista de dança da noite LGBT. De Guarujá para o universo drag, Pedro Henrique Carvalho, ou, para quem o encontrar atrás de uma mesa de som com muita maquiagem, Lorena Lauritzen.

Na noite da realização do concurso da drag mais incrível da Tribal, em meados de março, Lorena acena para os “migos” e as “migas”, encara as inimigas, e comanda uma playlist que vai de Beyoncé até Britney Spears. Ela usa um look básico, trabalhado no preto, mas que brilha e a deixa luxuosa.

Viral - Quanto você gastou para se montar esta noite?
Lorena - Só R$ 25. Me faltavam os cílios [risos]. Drag queen em Santos não é tão bem valorizada, e alguns locais não querem pagar quando nos convidam. Ou então pedem para a gente se apresentar / tocar em troca de bebida free na balada. Já dizia a música Dona da também drag Glória Goove, acham que consumação paga peruca.

Você começou a ser drag cedo. Algum motivo específico? Não exatamente. Comecei a me montar depois de tanto assistir shows da drag Samanta Banks na Tribal. Com 17 anos eu usava meu RG falso para entrar na balada. Em certo momento vi a Samanta e fiquei impressionado. Aquela artista negra fazendo aquele carão... quis fazer aquilo também. Adotei umas características minhas para a Lorena, por exemplo: sou negra e afeminada.

Como é a sua relação com a família em razão de você também ser Lorena? Meus familiares sabem, mas eu só ficaria montado para a minha mãe, a única que realmente me apoia. Devo muito a ela por ser Lorena Lauritzen. Ela ama me ver montada. Me ajuda, empresta roupas para compor meus looks. Não é todo mundo que gosta das drags. A Lorena mesmo, tem gente que acha ela depravada, mas eu nem ligo pra isso. Me importo com o que a minha mãe pensa de mim, e se ela quer eu passe 24 horas montada só para ela, então a Lorena vai ser depravada mesmo. Beijos!.

Carão não é tudo

Bianca DellaFancy (Arquivo pessoal)

O número crescente de homens e mulheres que se dispuseram a vivenciar o mundo drag, se deve à popularização do reality RuPaul’s Drag Race. Para alguns, no entanto, a vida de glamour e brilho chegou ao fim. É o caso de Felippe Souza, de 26 anos. Ele simplesmente se cansou de tantos procedimentos para esconder sobrancelha, a genitália, e qualquer outro traço que remeta a seu gênero de origem. Ex-Bianca DellaFancy, muito conhecida na noite Paulistana, há pouco menos de um semestre, tirou a peruca e decidiu deixar sua personalidade exuberante apenas no perfil do Facebook.

Viral - Por que você não é mais Bianca DellaFancy? 
Felippe - Na verdade eu ainda sou. Não gosto de dizer que a Bianca não existe mais, pois foram dois incríveis anos de reconhecimento para a minha personagem dentro e fora do estado de São Paulo. Aí que está o problema. A Bianca ficou conhecida e teve diversos privilégios nas melhores casas noturnas. Nem todo mundo conheceu o Felippe. De fato ela virou uma celebridade, visto que, quando posto alguma coisa na conta dela no Facebook ou Instagram, recebo muitas curtidas e elogios. Penso: “mas eu não fiz nada [risos]”, e ainda assim tem gente dizendo que ama a drag. Por isso mantenho o perfil ativo, pois eu vejo que deixei um legado com a minha drag, mas viver de carão não é comigo.

Digamos que você ganhou a oportunidade de se montar mais uma vez... Bom, aceitaria, se me pagassem muito bem por isso. Houve momentos em que eu gastei R$ 500 em um dia na balada, e o que eu recebia por fazer presença VIP não dava para manter o estilo da personagem.

Biscoito Praiano, 57 anos de praia


Indiferente às críticas ao primo carioca, o biscoito santista segue como número 1 no quesito comidinha de praia

Uma das notícias que está causando furor em tempos olímpicos não tem nada a ver com esporte: o mítico biscoito Globo, símbolo da cultura de praia carioca foi duramente criticado pelo The New York. A tradicional receita, a base de polvilho, óleo e água, virou uma referência para a Cidade Maravilhosa. Por esse motivo os internautas foram para as redes sociais e mostraram o seu repúdio com a tal matéria.

Chamado de “sem gosto e sem graça” pelo jornal americano, o petisco carioca pode não estar vivendo os seus melhores dias. Mas, o mesmo não acontece com o biscoito Praiano, que faz sucesso nas praias de Santos desde 1959.

Para muitos caiçaras, a guloseima não pode faltar quando o assunto é ir à praia, uma popularidade que não é de hoje. Os mais antigos contam que antes da invasão dos carrinhos de batida e das churrasqueiras, o crocante biscoito Praiano era um dos únicos quitutes vendidos à beira-mar e por isso mesmo tornou-se uma recordação na infância de vários santistas.

Segundo Aroldo Carlos, neto de um dos sócios fundadores da fábrica do biscoito Praiano, são produzidos em média 500 pacotes por semana, de 100 e 50 gramas. Os famosos biscoitos são distribuídos na Baixada Santista, porém o forte das vendas está nas areias de Santos, São Vicente e Guarujá.

O biscoito pode ser encontrado na Rua Espírito Santo, 120, no bairro Campo Grande, onde a iguaria é produzida e comercializada.

Os ingredientes são: polvilho azedo, gordura hidrogenada (mistura do óleo de coco com outros óleos), sal, açúcar, ovos e leite, podem ser encontrados nas versões doce, que tem a embalagem vermelha, e salgado, na embalagem verde.

Para saborear a gostosura, você gasta apenas R$ 2,00 na embalagem com 50g e R$3,25 na embalagem com 100g.

Movimento pet friendly cresce em Santos


Para agradar os totós e seus donos, vários estabelecimentos santistas estão aderindo ao movimento pet friendly. Essa super tendência finalmente chegou à Baixada Santista. Shoppings, restaurantes, bares e outros estabelecimentos já permitem que os amigos de quatro patas participem dos momentos de lazer da família. Alguns estão indo além e oferecem mimos para os animais, como água de coco e áreas abertas. Veja alguns endereços onde seu pet é bem-vindo:

Shopping Pátio Iporanga - Primeiro centro comercial da Baixada Santista a receber os pets sem a regra de ficar no colo do dono. Agora você pode passear com o seu mascote de pequeno ou médio porte caminhando no chão, desde que use coleira. A regra só não vale na praça de alimentação. As lojas que também recebem animais são identificadas com o selo pet friendly.

Amsterdam Choperia - Um ótimo lugar localizado na Rua Dr. Tolentino Filgueiras, 75 - Gonzaga. Pra quem curte um bom ambiente, cerveja gelada e bons drinks. Tudo isso com uma atmosfera pensada na Europa.

Geração Fit - Endereço certo para quem gosta de comidinha saudável, o lugar ideal oferece água de coco para que os pets possam se refrescar. Fica na R. Dr. Lobo Vianna, 18 – Boqueirão. 

Australiano Bar - O pedacinho da Austrália em Santos também é um desses lugares amigáveis onde o seu animalzinho é recebido com um cliente especial. Para eles, uma ótima parte externa permite que os pets possam curtir a brisa do dia. O bar fica na Av. Dr. Epitácio Pessoa, 117 - Boqueirão

Ocupa mais, que tá pouco!


Festas saem das páginas do facebook para tomar conta de praças, ruas, e até cantinhos esquecidos. Música boa, curtição e catuaba gelada sempre marcam presença

Quando o relógio marcou 18h00 de sábado, 27 de fevereiro, uma notificação no Facebook avisou que a noite seria de pura festa. Não era feriado, nem mesmo a data remetia a algum acontecimento especial para os santistas ou para os amantes de boa música. O convite virtual para a “festa de ocupação” não explicava o que era uma “festa de ocupação”, mas bastou uma navegada no Google para saber sobre esse tipo de evento: não é preciso motivação especial para acontecer, trata-se apenas de uma celebração à arte, ao bom convívio entre pessoas e um pretexto para reunir quem gosta de tudo isso no espaço público. Um pouco de suspense e improviso ajudam a aumentar o charme dessas festas, o que explica o fato de, em alguns casos, o convite chegar pelas redes sociais poucas horas antes de soarem os primeiros batuques.

O rala coxa daquele sábado chamava-se Coco de Garrafada. Não é o único baile com a ideia de ocupação urbana na noite santista, mas é um dos poucos que têm o “coco” como anfitrião. Coco é o nome do gênero musical que mistura influências da umbanda e do candomblé, mas a galera costuma chamar de “som de preto” ou “som de terreiro”. “Segura as telhas que eu vou fazer a terra tremer! Meu coco é forte e tem azeite de dendê”, bradava a mensagem estampada no convite do Facebook. Horário marcado: 23 horas. Local: Praça dos Andradas, em frente à cadeia velha. O convite continua dando o tom da festança: “vai ter pisada forte, dança e daquelas que não se pode ficar parado; vai ter raiz, ciência, calor humano e tudo de graça, na praça, do povo, para o povo.”

Só nos dois últimos meses três festas com esse conceito povoaram o centro histórico santista. Além da Coco de Garrafada, teve também a ABSM e a famosa Jambu. No geral, a proposta varia de uma para outra. A primeira traz o calor do nordeste brasileiro, saias rodadas, chinelos arrastados, música ao vivo e uma bandeira contra o preconceito racial. Já a ABSM abusa de cor, luz, e faz da música eletrônica trilha sonora de um ambiente repleto de alto astral. Já a mais conhecida, a Jambu, não só valoriza o cenário alternativo da MPB, como incentiva as mais diversas intervenções artísticas e arquitetônicas no espaço público. Sua última edição, no sábado, 19 de março, foi um grande festival de 18 horas que proporcionou suspense ao manter em segredo o local do evento até poucas horas antes da festança. O que é comum nas três festas: todas lotam.

A NAU PEDE PASSAGEM
Uma hora antes do horário combinado a equipe da revista Viral já estava no local combinado para reportar o agito da Coco de Garrafada. Nenhuma pinta de festa na praça sonolenta, com poucos moradores de rua, alguns taxistas e muitas latas repletas de lixo. Nenhuma caixa de som, nenhuma latinha de cerveja.

Quem ainda não está acostumado à dinâmica desse tipo de reunião poderia até pensar que o role tinha miado. Conforme os convidados foram chegando, a praça vazia se encheu de cor. Do nada surgiram computadores, mesas cheias de botões coloridos, equipamentos de som e isopores gigantes para onde eram arremessadas dúzias de garrafas de Catuaba Selvagem. A “nau” da ferveção estava pronta para zarpar. O batuque comandado pelos “tripulantes” Piratas do Maxixe, responsáveis pela festança, cresceu a ponto de chamar a atenção até de quem passava nas ruas laterais. Chegam as meninas a bordo de suas longas saias e os meninos de largas bermudas. Chinelos de dedos estalam no chão, marcando o ritmo da melodia. Não demorou muito para que o lugar se transformasse num baile com calorosos dançarinos.

A Garrafada, assim como tantas outras festas de ocupação urbana, se propõe a promover um grande encontro a céu aberto com pessoas de várias tribos, ocupando lugares inusitados do espaço público. Trata-se de uma nova forma de ocupação pública e expressão artística, social e, muitas vezes, política. Encontros de pessoas conhecidas ou não, que propõem uma releitura dos lugares que por vezes cruzamos e não percebemos ou sequer damos importância.



No meio da balada, a estudante de 18 anos, Paula Granado, que arriscava discretos passos de dança durante a entrevista, disse que gostava daquele som e já havia comparecido em muitas outras festas de ocupação em Santos. Ela usava uma roupa bem leve, e que estava em harmonia com o tom do evento. “Não tem conflito, a maioria das pessoas se conhece e todos estão aqui apenas para curtir um ambiente diferente”.

Na alta madrugada, contar o número exato de pessoas dançando foi uma tarefa difícil. Elas chegavam de todas as partes e se entregavam de corpo e alma à tal música de preto. Alguns mostravam outras habilidades artísticas, como malabarismo, danças típicas e até capoeira. A estudante de assistência social, Kidauane Regina Alves, de 20 anos, por exemplo, sem perder o ritmo, jogava a arte marcial brasileira com amigos nos acordes da banda Coco das Águas Doces, que veio de Jundiaí para tocar no ponto máximo da ferveção, por volta das 03h00 da madrugada.

“Trata-se de um grande resgate. Trazer pessoas diferentes, para lugares diferentes, e fazer algo diferente. Tudo, claro, com peso cultural muito forte”, definiu a estudante. A Jovem destaca que ocupar espaços como foi feito com a Garrafada reforça a necessidade da população de entender a cidade de forma mais harmônica. Nesta festa o batuque é um belo estímulo para a empatia criada entre esse público fiel, de dançarinos amadores ou não. Os amigos Pedro Henrique Ferreira e Lucas Nascimento, 29 e 27 anos, são de Jundiaí e quando souberam da festa Coco de Garrafada por meio do evento no Facebook, arrumaram suas trouxas e desceram a serra. A namorada de Pedro é percursionista da banda Coco das Águas Doces, mas, para ambos, o sentimento de “fazer parte” daquilo os moveu até o centro de Santos.

Pedro Henrique defende a ideia de ocupar espaços paralelos à avenida da Praia. “A rua é pública e o povo precisa se integrar. Tem que ocupar mais, que tá pouco”. Já Lucas reforça que a música nesse tipo de reunião dá maior visibilidade a grupos e suas causas sociais. Em certo momento, uma das moças que dançava no meio da Praça, quando rodava sua longa saia branca e arrumava a postura para mostrar seu leque, fazia da sua pele morena e cabelos cacheados uma bela representação de diversas culturas.

A festa passou das 05h00. A banda já tinha retirado seus instrumentos e os equipamentos de som estavam sendo guardados também. A galera continuou se espalhando pela praça, mas dessa vez para limpar o espaço e, assim, ir embora. O domingo na Praça dos Andradas amanheceu como de costume durante o dia: muita movimentação de taxistas e pessoas que transitam entre a Rodoviária e o Terminal da viação de santos. Fora isso os mendigos continuaram ali, as latas de lixo cheias também. Não sobrou uma garrafa de Catuaba. Nenhum vestígio. Ninguém pra dizer que a festa foi “top”.

História em concreto, vidro e tijolo




Prédios da orla santista contam capítulos inteiros da história da cidade.


Os prédios da orla da praia fazem parte da identidade cultural da cidade, e representam fases distintas da arquitetura e da história social e econômica de Santos. É como se formassem uma “fachada” da cidade, delineada por um mosaico de estilos, tons e tamanhos.

A orla é uma das marcas mais expressivas de Santos, assim como o porto, os canais e os jardins. E, historicamente, um grande atrativo para construtoras e moradores. “A orla possui um acervo importante de obras. Porém, predomina uma arquitetura comercial”, analisa Luiz Antonio de Paula Nunes, professor de História e Teoria de Arquitetura e Urbanismo da UNISANTA.

Hoje os 195 prédios residenciais postados de frente para o mar contam histórias de diferentes períodos do desenvolvimento da cidade. Palma de Mallorca, Copacabana, Indaiá, Astros, Paulistânia e Jardim do Atlântico são alguns dos nomes que representam a pluralidade de estilos, de diferentes escolas. Alguns têm tanta relevância cultural que são tombados pelo Condepasa (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos), caso do Parque Verde Mar, do edifício Enseada, o Astro, marco modernista, e os Palacetes São Paulo e Olímpia.

O contraponto é representado por quatro empreendimentos em construção ou quase prontos para serem inaugurados, que trazem o conceito dos modernos arranha-céus, com amplas áreas envidraçadas e muitas sacadas praticamente debruçadas sobre os jardins a orla. Recentemente um supermercado que era localizado próximo ao canal 2 foi demolido para dar lugar a uma dessas construções, com previsão para vertiginosos 37 andares. Mesmo com a crise financeira a faixa litorânea permanece na mira das empreiteiras, da população local e dos que sonham com uma moradia de veraneio.

Quem olha do mar para a orla pode identificar onde estão os chamados “clássicos”, aqueles edifícios muito emblemáticos de um tempo ou de um modismo, localizados principalmente entre os bairros do Boqueirão e José Menino. Um deles é o pioneiro Palacete Olímpia, de 1928. Se um dia o Palacete foi símbolo de imponência, hoje seus cinco andares mal dariam para abrigar as enormes garagens construídas para os arranha-céus dos anos 2000. “Os prédios novos e altos são fruto de um processo de valorização imobiliária, mas não descaracterizam a identidade da cidade, apenas reforçam a particularidade sócioespacial desse tipo de ocupação”, analisa o arquiteto e professor Luiz Antonio de Paula Nunes.

Símbolos de uma era

Construções de frente para o mar nem sempre foram símbolo de status. Até o começo do século XX, chique era morar próximo do cento histórico e no bairro do Boqueirão. Com a valorização do café a classe emergente, formada pelos exportadores e produtores, começou a ambicionar locações mais próximas do mar. Não era só um desejo dos santistas, mas principalmente dos moradores da pujante capital do estado e do interior desenvolvido, que buscavam em Santos uma segunda residência e um local para lazer durante os meses de veraneio.

Com a inauguração da via Anchieta em 1947, e a rápida industrialização do ABC, as cidades da região viram um número ainda maior de visitantes surgir a cada final de semana ou mesmo durante a semana nos meses de calor. Era a nova classe média endinheirada, em busca de um lugar ao sol. De frente para o mar.

O ritmo das construções e a valorização da orla como lugar nobre para a moradia ganharam novo impulso com a inauguração da Via dos Imigrantes, em 1974.


Foi para esses visitantes que um dos nomes mais ilustres da história arquitetônica da cidade de Santos teve a ideia de construir um prédio de frente para o mar. Em meio à roda de amigos que tinham um encontro semanal no restaurante do Mappin, em São Paulo, o arquiteto João Artacho Jurado foi instigado a conceber prédios de apartamentos de veraneio no litoral. Apaixonado pelo mar, Jurado, acatou o pedido dos amigos e quis trazer para a cidade características que consagravam suas construções na capital. É dele o projeto do edifício Parque Verde Mar, localizado no Boqueirão, um empreendimento que se destaca pela cor, beleza e as curvas que buscavam harmonia com a paisagem da praia.

O professor de Arquitetura e autor de um livro sobre a obra de Jurado, Ruy Eduardo Debs, explica que, apesar das citações modernistas, estilo dominante à época, Jurado criava fachadas elaboradas, com recortes nas vigas estruturais, pastilhas arredondadas e detalhes em madeira nas jardineiras. “O estilo modernista não pressupõe adereços, enfeites. E Jurado veio na contramão e marcou seu estilo com diversos ornamentos, tornando-se a negação do estilo que era adotado”, completa.

Mas os prédios da orla vão muito além do Parque Verde Mar e do Enseada, este, localizado entre os canais 6 e 7. Antes do colorido exuberante de Jurado, o Palacete Olímpia, na metade do caminho entre os canais 1 e 2, já apresentava um conceito moderno para a época. Foi a primeira edificação pluri-residencial da orla santista. Isso em 1928. O dono do terreno construiu o prédio e apenas alugava os apartamentos para quem queria morar por lá, mesmo conceito do Palacete São Paulo, de 1929, até hoje instalado no canal 3 com a praia.

No José Menino, equina com a rua Santa Catarina, o Edifício Biarritz, de 1942, com seus 10 andares foi o primeiro prédio da cidade no esquema que conhecemos até hoje, em que as pessoas compram o apartamento ainda na planta.

Essas construções históricas se misturam aos novos e modernos condomínios, que ultrapassam fácil os 35 andares. Próximo ao Biarritz, o condomínio Enseada das Orquídeas, construído em 2011 no terreno do antigo Clube Caiçara, conta com mordomias típicas século XXI, como uma piscina de borda infinita e varandas gourmetizadas. Na onda dos recém-lançados, um dos mais novos é o Prime Plaza, no Gonzaga, que apresenta uma cobertura triplex, com vaga para até sete carros, com espaço de lazer e sala de cinema particular para 30 pessoas.

O boom mais recente da construção civil, que durou até 2015 foi motivado pelo sonho de prosperidade criado a partir da descoberta do pré-sal, em 2007. Segundo o jornalista e escritor, Sergio Willians, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santos e da Academia Santista de Letras, as pessoas hoje trocam suas residências menores para morar de frente para o mar. “A vista sempre atraiu, inclusive com as construções de prédios maiores atrás para que o morador das ruas próximas à orla pudessem também contemplar a vista”, complementa o historiador.

Prédios tortos


Em toda a orla é possível perceber os tão famosos prédios tortos, marca registrada da paisagem santista. Conhecidos no País e no mundo, os prédios fora de prumo localizados em sua maioria entre os canais 3 e 6 são atração para moradores e turistas. Entre os mais conhecidos estão os edifícios Núncio Malzoni, ao lado da Pinacoteca Benedito Calixto, próximo ao canal 4, e a menos de 100 metros, o Excelsior, conhecido como “Torto”, nome do bar instalado quase abaixo do nível da avenida, que funciona ali há mais 30 anos.

Prédio "Torto", como é conhecido, tem quase metade da inclinação da Torre de Pisa

O bloco B do edifício Núncio Malzoni, teve a sorte de conseguir voltar ao prumo, graças ao poder aquisitivo de seus moradores, que se cotizaram e assumiram os custos de uma grande obra. A construção dos anos 1970 chegou a ter 1,7 metros de inclinação, porém, em 2011, numa operação lenta de suspensão por macacos hidráulicos, a construção foi colocada em equilíbrio novamente.
Já o edifício Excelsior, talvez o prédio mais icônico da cidade, exibe com certo orgulho seus de 1,80 metros de desaprumo – quase metade da inclinação da Torre de Pisa, que é a construção mais famosa do mundo por seu desnível de aproximadamente quatro metros. Segundo a Prefeitura de Santos, o “Torto”, tem a maior inclinação da cidade. Em 1977, o prédio chegou a ficar interditado por mais de um ano.

Segundo o professor de Engenharia Civil, Adilson Luiz Gonçalves, fundações feitas de forma irregular são o principal motivo para o fenômeno conhecido como “recalque”, pois, as sapatas (nome dado ao tipo de fundação que sustenta o prédio, que tem uma forma parecida a de um sapato) estão na primeira camada de areia e não houve o estudo necessário no tipo correto de fundação para a construção de um edifício tão alto. “As fundação foi calculada para um prédio de nove andares, mas construíram um de 18, 19 andares. Os prédios vizinhos auxiliaram nesses recalques e tiveram o mesmo problema.”, explica o engenheiro.

Segundo Gonçalves, a areia é um ótimo lugar para fundações, porém o solo santista, após uma pequena camada de areia de 6 a 12 metros, tem uma camada de argila marinha de 20 a 40 metros, seguida de mais uma camada de areia, e por último uma camada dura (formada por rochas) que varia de 40 a 50 metros. “A argila parece uma esponja, se você coloca muito peso, ela tende a ir para os lados. Pois, a água contida nela sai, causando um afundamento e um acomodamento do terreno.”, comenta.

Tá tudo dominado


As mulheres estão dominando cada vez mais o cenário empreendedor no mundo. É um negócio que está crescendo cada vez mais e na Baixda Santista não é diferente

No século XX, o empreendedorismo feminino teve como percussoras nomes como coco chanel e amelia earthart. Atualmente, o cenário está mudando, e as mulheres têm se tornado mais prevalentes no ramo empreendedor.

Segundo dados do sebrae (serviço brasileiro de apoio às micro e pequenas empresas) de santos, 32% das micro e pequenas empresas brasileiras são lideradas por mulheres. Esse número equivale a quase oito milhões de empreendedoras no país.

Na baixada santista, as mulheres dominam o mercado: 52% das microempresas são lideradas por elas. Por isso, convidamos quatro mulheres de diferentes negócios, em diferentes estágios de desenvolvimento, para abrir a porta de seus estabelecimentos e nos contar suas trajetórias.



Conhecida como mari marques e dona de um estúdio que leva seu nome, mariângela marques, 36 anos, é professora de pilates. Formada em educação física pela fefis, ela conta que sempre se interessou mais pela saúde do que pela área fitness, mas nunca havia encontrado algo que realmente a representasse. Foi quando começou a fazer cursos especializados, estágio na área e se encontrou no pilates. “Depois de uma crise financeira resolvi abrir meu negócio. Comecei com um lugar pequeno e alugado e foi acontecendo”, conta.

Hoje, com um ano na atividade, mari marques tem 60 alunos e se diz satisfeita com o número pelo pouco tempo do empreendimento. Mas ela não vai parar por aí, deseja ampliar ainda mais seu espaço e aumentar a quantidade de alunos.

Para montar seu estúdio, mari decidiu se qualificar no empreendedorismo e fez cursos no sebrae, que são gratuitos e dão certificado. Ela também está se aperfeiçoando no pilates e  cursa a segunda pós-graduação na área.

Com a crise batendo à porta, a empreendedora tenta inovar para que seu negócio não pare de crescer. “é preciso buscar alternativas, então fiz convênios com duas empresas, cujos funcionários têm direito a desconto. Também coloco anúncio em jornais locais, faço propaganda na internet, promoções, pacotes e assim por diante. Vou testando” conta.



Adriana vieira tinha 20 anos quando conheceu a yoga.   Estava na faculdade de jornalismo, fez uma entrevista sobre o assunto e, no momento em que entrou na aula de yoga, se apaixonou. Após muito estudo, se tornou doula e resolveu montar seu espaço e fazer da orientação e assistência a gestantes o seu ganha-pão.

Há seis anos fundou o namaskar yoga, um centro dedicado a gestantes e casais. Para esse trabalho, conta com a ajuda de outras doulas e fisioterapeutas. Antes de criar seu espaço e ser uma profissional conhecida na região, adriana tinha um grande interesse pela yoga e resolveu estudar sua cultura e a associação dessa prática com temas como gravidez e parto. 

Viajou para índia, holanda, inglaterra, rodou o mundo em busca de conhecimento. “nunca consegui ficar parada, sempre tive que estudar ”, conta adriana.

Em 2006 começou a trabalhar como doula. “é uma profissional que, acompanhada de um médico ou de uma parteira, prepara os casais para terem uma gestação saudável e para que eles tenham liberdade nas escolhas” explica adriana.

Atualmente, os preços cobrados pelas profissionais variam dependendo do tipo de aconselhamento à gestante, e também da experiência e formação que a profissional tem. Para cobrar, elas combinam com o casal o tempo que eles vão precisar de sua assistência. O pacote custa, em média, entre R$ 800 a R$1500 por gestação.



Há um ano larissa cavalcante criou a papelaria artesanal skets. É uma loja online que vende variados cadernos artesanais. O site para comprar os produtos está em construção, mas isso não é problema, pois a loja funciona no instagram com o usuário @lojaskets. Todas as encomendas são feitas por email ou whatsapp.
  

“O instagram me ajudou muito. Por causa dele já consegui clientes no rio e em minas, lugares que eu nunca imaginaria vender”. 

Os preços variam de acordo com o modelo. Os personalizados que levam um desenho feito por ela na capa, vão de r$ 70 a r$ 100. É um trabalho bem personalizado, então os preços variam se são estampados ou lisos, maiores ou menores e qual o tipo de papel usado.

Todos os produtos da loja têm o design pensado por ela e são feitos artesanalmente. Ela passa o dia costurando, desenhando e estudando, em busca de inspiração. “eu aprendo muito, sempre busco vídeos na internet para aperfeiçoar meu trabalho”.

Hoje, seu maior sustento é a skets, mas ela também trabalha como freelancer, fazendo artes para sites. No começo, para se organizar, ela ia atrás de plataformas na internet para conseguir administrar seu dinheiro. “essa parte burocrática é bem complicada, mas com o tempo você vai aprendendo”.

Larissa já tem vários planos para o futuro. Tem ideias de novos produtos e novos projetos, sempre envolvendo sua grande paixão e talento: a arte.      

Sua maior dica para as moças que querem ter seu próprio negócio é ter disciplina e se inspirar muito. “use todas as redes sociais que você puder, pesquise. Referência é ótimo ,pois para você inovar tem que estar ciente do que as pessoas já fizeram. Tem que correr atrás”.



Ludmilla rossi, antes  mesmo dos 20 anos de idade, já tinha aberto a mkt virtual, uma empresa que administra as redes sociais de grandes nomes como pampili, rei do mate, kascão, instituto natura, entre outros. Com uma equipe de 50 pessoas, ludmilla comanda todo o setor criativo da empresa.  “quando fundei a mkt virtual, foi tudo muito rápido, justamente na velocidade do crescimento da internet”, conta a empresária.

Na época em que ela resolveu se aventurar, a internet havia acabado de chegar ao brasil. Buscar clientes e se posicionar no mercado com pouco dinheiro e trabalhar num ritmo incessante, eram as principais dificuldades para a jovem empresária. 

Ludmilla acredita que hoje a consciência das pessoas é maior em relação aos negócios criados e geridos por mulheres. Porém, ela já ouviu coisas absurdas ao longo de sua carreira. “em uma entrevista de emprego onde eu era a entrevistadora, o candidato ficou abismado ao saber que, além de empreendedora, eu era designer. E soltou a frase: achei legal saber que uma mulher faz isso”.

Para inovar e manter tudo funcionando apesar da crise econômica, ludmilla diz que reinvenção e aumento de eficiência são o segredo. “o primeiro passo não é demitir, mas avaliar, treinar os funcionários para uma nova atitude”, comenta a designer. Segundo ela, você tem que olhar para as dificuldades e saber se reinventar.

Estudar também faz parte do processo para elevar um empreendimento, segundo a empresária. “por não ser formada, sempre busquei muitos cursos e com a maior amplitude possível”, explica ela.

Já para quem deseja abrir sua própria empresa, ludmilla aconselha fugir da linha de mediocridade e se especializar. Ser tolerante é outro ponto primordial. “muitas pessoas podem ensinar algo a você que irá mudar a sua vida. Aproveite a teoria dos cinco – você se torna uma mistura das cinco pessoas com as quais mais convive”, sugere.

Tenha coragem para formar sua opinião, receita a empresária, que ainda finaliza com uma frase de efeito de coco chanel: “o mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça.” 

Mais acessadas