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Engenheiro cria jogo que estimula o pensamento crítico e ações gerenciais


Além de divertir, os jogos (eletrônicos ou não) já provaram ser uma ótima ferramenta de aprendizado. Jogos como Minecraft estimula a criatividade e Banco Imobiliário pode ser aplicado para trabalhar o lado empreendedor, por exemplo. Foi pensando nisso que o engenheiro de produção Filipe Carvalho criou Kanban S.A.

            O jogo, que começou como um projeto de TCC, é um método de ensino direcionado à gestão de produtos. Ele utiliza elementos comuns em outros jogos, como tabuleiro, dados, peões e cartas. Nele, os jogadores precisam gerenciar sua própria indústria, administrando sua matéria-prima e a venda do seu produto. O objetivo é dobrar o capital inicial, criando novos produtos a partir dos recursos adquiridos ao longo do jogo e vendendo no mercado. “Me inspirei muito em jogos como Banco Imobiliário. Eu queria criar algo que as pessoas estão acostumadas e tornar fácil de aprender. Tem elementos diferentes que tornam ele mais dinâmico, o que o diferencia”, explica o engenheiro.

            Segundo Filipe, os jogadores precisam desenvolver estratégias, praticar ações gerenciais e trabalhar a tomada de decisões, além de precisar contar com a sorte, como um bom jogo de tabuleiro.

Processo de criação

Formado em engenharia de produção pelo Centro Universitário de Belo Horizonte, Filipe conta que o projeto surgiu ainda cedo na faculdade. “Eu jogava muitos jogos de tabuleiro com meus amigos e queria unir de alguma forma as minhas duas paixões e criar algo com relevância”, explica.

            Embora tenha feito o trabalho individualmente, a criação do jogo contou com diversas pessoas atuando diretamente. “Desde a minha namorada que testou o jogo até o pessoal de design que ajudou a criar o tabuleiro”, afirma. Depois de pronto, o Kanban S.A foi testado em três turmas de engenharia de produção e de administração. “O feedback foi ótimo. Todos se sentiram motivados a aprender mais sobre o tema. Além disso, foi minha porta de entrada para o mercado de trabalho”, conta o engenheiro, que hoje trabalha na empresa que patrocinou o projeto, a Soluce.

Versão digital

            Hoje, o jogo está disponível apenas na versão física. Portanto, quem tiver o interesse em conhecer o projeto precisa ir até Belo Horizonte (MG) para participar. Pensando em tornar o projeto mais acessível a quem é de fora, Filipe já cogita uma versão digital do jogo. “Pretendo fazer parcerias e entrar no meio digital, sim. Estou trabalhando em outros jogos neste estilo, que estimulem a inovação, o empreendedorismo e a indústria 4.0”, explica. Além disso, ele cita os benefícios trazidos pela união entre diversão e aprendizado. “Acho que ajuda a engajar os alunos para temas que eles têm uma certa resistência. Vejo o jogo como uma ferramenta para conquistar os objetivos”, conclui.

Jogos como aprendizado

            A ideia de utilizar os jogos para ensinar vem se tornando cada vez mais recorrente. Caio Araújo, estudante do sexto semestre de Sistemas da Informação, acredita ser um passo importante para aumentar o interesse dos jovens pelos estudos. “Mostra que estão mudando a forma como enxergam os jogos. Deixou de ser apenas um instrumento de diversão e estão vendo nele novas possibilidades”, opina.

Texto: Diego Kassai
Foto: Divulgação 

Emissário gamer: qual a sua função?

Os emissários também gerenciam as redes sociais do jogo no Brasil

Você provavelmente já ouviu falar de um emissário, certo? É uma pessoa enviada por alguém para cumprir uma missão ou levar uma mensagem. Mas e um emissário de jogos? Esta expressão talvez você nunca tenha ouvido falar, mas acredite, existe e é comum nas comunidades de jogos pouco desconhecidos.

Escape From Tarkov é um jogo de tiro em primeira pessoa (estilo de jogo em que a perspectiva é a mesma que a do soldado) que ainda está sendo desenvolvido pelo estúdio russo Battlestate Games. Uma versão alfa (ou seja, em estado inicial) foi disponibilizada no final de 2016 para jogadores que fizeram a compra antecipada. Mas como tornar conhecido ao redor do mundo um jogo ainda em desenvolvimento feito por uma empresa nova no mercado? É aí que entra a figura dos emissários. São pessoas de várias nacionalidades escolhidas pela empresa para divulgar o game em seus respectivos países.

No Brasil, os responsáveis pela missão são três jogadores: o carioca Daniel Alvarez, conhecido na comunidade como “Dimittri” e os paulistas Augusto Cesar, o “R3aper” e Felipe Eduardo, o “FLP”. “A função é como um manager, mas trabalhamos diretamente com os desenvolvedores. Somos o link dela com a comunidade”, explica Augusto “R3aper”.

Eles contam que precisaram participar de uma seletiva na empresa. “Conheci o jogo há um tempo. Percebi que, por ser empresa independente e ainda por cima russa, teria certa dificuldade na divulgação, então fiz por conta própria a divulgação e tradução do material. Eu já tinha certa fama na comunidade quando abriram as inscrições para emissário. No início, eu era o único emissário, mas outras pessoas sempre ajudam também”, explica Dimittri. R3aper era uma dessas pessoas. “Éramos 18 gamers que o ajudavam. Quando abriram novamente as inscrições, eu entrei”, conta.

Além disso, é importante conhecer bem o projeto. Segundo os emissários, o processo conta com um período de avaliação e logo depois deve ser preenchido um formulário, que é avaliado pelo estúdio. É tudo feito online e em inglês. “É tudo voluntário. Não somos remunerados. Além disso não tem um tempo determinado e nós podemos nos desligar se quisermos”, explica R3aper. Eles explicam que a empresa sempre faz análises de desempenho, além da comunidade sempre testá-los de alguma forma. Apesar de ser uma “missão”, eles não têm um objetivo exato a cumprir, como alcançar um número específico de novos jogadores. O diálogo com a comunidade acontece de diversas formas: existe o fórum do game, o grupo no Facebook (com cerca de 2.5 mil membros) e o grupo no aplicativo de voz Discord (comum entre jogadores brasileiros).

Streams também ajudam a divulgar

Os três emissários dividem seu tempo entre exercer a função, fazer streams e também trabalhar tradicionalmente. Dimittri é engenheiro e R3aper, gerente de marketing, ambos tem 32 anos. FLP está terminando a faculdade. “Eu comecei a streamar este ano. A comunidade pedia para que eu fizesse. É uma forma de ajudar a divulgar o jogo, também”, conta Dimittri. Já R3aper faz stream desde novembro do ano passado.

Recentemente, streamers mais conhecidos, como Alanzoka, Patife e The D4arkness, começaram a jogar o game, o que causou um aumento significativo no número de jogadores. “A visibilidade do jogo aumentou bastante, cerca de 30%. Nós tivemos a oportunidade de jogar com o The D4arkness, mas só depois de conseguir chamar a atenção com uma doação em dinheiro para ganhar destaque nas mensagens (risos)”, conta R3aper.

Texto: Diego Kassai
Foto: Divulgação 

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