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Exclusividade feita a mão



Quem não gosta de usar uma peça de roupa exclusiva? Que nunca vai correr o risco de encontrar alguém vestido igual? Foi pensando nisso que a aluna do curso de Moda da Unisanta, Nathalia Major, criou a “Major Arte”. A marca, que está no ar desde 2015, tem uma linha de camisetas personalizadas e exclusivas. Ou seja, nenhuma pintura é igual à outra. Nathalia assina os desenhos e cuida da pintura no tecido, uma a uma.

Ela tem apenas 18 anos e está no último ano da faculdade “Cada arte é detalhadamente pensada para o cliente, a fim de que ele possa sentir que tem uma camiseta só dele”, explica estudante que faz a divulgação e venda das peças Facebook. “Eu acredito que é disso que a sociedade precisa hoje, é o momento de desacelerar e voltar a valorizar o que é feito à mão”.


O sucesso da marca tem crescido a cada dia. Só este ano a futura estilista já participou de três desfiles na Baixada Santista.


Não deixe de ver: Facebook - Cada peça custa em média 50 reais. E ela também faz quadros com os mesmos temas das camisas.

História em quadrinhos de santista fica conhecida mundialmente


Ele largou a vida de bombeiro para se dedicar aos quadrinhos. Fabio Coala sempre desenhou, mas foi depois do curso de Publicidade e Propaganda que começou a investir nos desenhos. Em 2010 criou o site “mentirinhas”, onde posta diariamente tirinhas sobre assuntos do dia a dia e recebe mais de 10 mil visitas por dia.

E foi com uma das tirinhas publicadas que Fabio teve uma das maiores surpresas da sua carreira, quando o alemão Jacob Frey viu a história da tirinha “Perfeição”, criada em 2012 e traduzida para o inglês. Na época, Jacob cursava em uma universidade de animação na Alemanha e a paixão pela história foi tanta que teve a ideia de fazer dela o trabalho de conclusão de curso, adaptando-a para um curta-metragem.

O curta, chamado “The Present”, foi lançado em 2014 e fez tanto sucesso que tem mais de 400 mil visualizações no Youtube, já participou de 180 festivais no mundo todo e recebeu 59 prêmios. “Eu não tinha ideia da grandiosidade que iria ficar o resultado final. Quando vi a qualidade do trabalho depois que ele me mandou a animação pronta eu fiquei maravilhado”, comenta o quadrinista, que já publicou sete livros com suas histórias em quadrinhos.  


               

Biscoito Praiano, 57 anos de praia


Indiferente às críticas ao primo carioca, o biscoito santista segue como número 1 no quesito comidinha de praia

Uma das notícias que está causando furor em tempos olímpicos não tem nada a ver com esporte: o mítico biscoito Globo, símbolo da cultura de praia carioca foi duramente criticado pelo The New York. A tradicional receita, a base de polvilho, óleo e água, virou uma referência para a Cidade Maravilhosa. Por esse motivo os internautas foram para as redes sociais e mostraram o seu repúdio com a tal matéria.

Chamado de “sem gosto e sem graça” pelo jornal americano, o petisco carioca pode não estar vivendo os seus melhores dias. Mas, o mesmo não acontece com o biscoito Praiano, que faz sucesso nas praias de Santos desde 1959.

Para muitos caiçaras, a guloseima não pode faltar quando o assunto é ir à praia, uma popularidade que não é de hoje. Os mais antigos contam que antes da invasão dos carrinhos de batida e das churrasqueiras, o crocante biscoito Praiano era um dos únicos quitutes vendidos à beira-mar e por isso mesmo tornou-se uma recordação na infância de vários santistas.

Segundo Aroldo Carlos, neto de um dos sócios fundadores da fábrica do biscoito Praiano, são produzidos em média 500 pacotes por semana, de 100 e 50 gramas. Os famosos biscoitos são distribuídos na Baixada Santista, porém o forte das vendas está nas areias de Santos, São Vicente e Guarujá.

O biscoito pode ser encontrado na Rua Espírito Santo, 120, no bairro Campo Grande, onde a iguaria é produzida e comercializada.

Os ingredientes são: polvilho azedo, gordura hidrogenada (mistura do óleo de coco com outros óleos), sal, açúcar, ovos e leite, podem ser encontrados nas versões doce, que tem a embalagem vermelha, e salgado, na embalagem verde.

Para saborear a gostosura, você gasta apenas R$ 2,00 na embalagem com 50g e R$3,25 na embalagem com 100g.

Seu cachorro tem dor na coluna? Saiba o que fazer



Dor na coluna é um sintoma muito comum em cães e tem os mesmos altos índices de incidência do que nos humanos. Existem raças mais propícias a apresentar o problema como dachshund, beagles, yorkshires, boston terrier, bulldog francês, pastor alemão e cães gigantes.

Os sinais - Quando o cão passa a evitar subir em móveis, escadas ou outros locais que antes costumava escalar, pode ser um indício de que está sentindo dor. Os donos também precisam prestar atenção no comportamento durante os passeios: parar, sentar, querer retornar pra casa ou até mesmo se recusar a sair podem significar a mesma coisa. Nos casos mais avançados, eles começam a mancar, o que é bem sério.

Idade avançada, sobrepeso e excesso de atividade física estão entre os desencadeadores do problema. Subir em uma cama alta dando impulso várias vezes ao dia por um determinado período de tempo, por exemplo, pode extenuar o animal. Existem casos drásticos, em que o dono está brincando com o cão e ele fica paralisado. 

O veterinário faz uma avaliação neurológica minuciosa para entender qual o tratamento mais indicado para cada paciente. Às vezes, é necessária uma tomografia para fechar o diagnóstico com maior certeza. 

Como tratar?

As técnicas para aliviar a dor nas costas no cachorro se aproximam muito daquelas utilizadas conosco. Além da medicação (analgésicos e anti-inflamatórios), os veterinários hoje podem optar pela acupuntura, fisioterapia ou em último caso, cirurgia de urgência para tratamento. Nesse último caso, a recuperação exige muita paciência e persistência.

Movimento pet friendly cresce em Santos


Para agradar os totós e seus donos, vários estabelecimentos santistas estão aderindo ao movimento pet friendly. Essa super tendência finalmente chegou à Baixada Santista. Shoppings, restaurantes, bares e outros estabelecimentos já permitem que os amigos de quatro patas participem dos momentos de lazer da família. Alguns estão indo além e oferecem mimos para os animais, como água de coco e áreas abertas. Veja alguns endereços onde seu pet é bem-vindo:

Shopping Pátio Iporanga - Primeiro centro comercial da Baixada Santista a receber os pets sem a regra de ficar no colo do dono. Agora você pode passear com o seu mascote de pequeno ou médio porte caminhando no chão, desde que use coleira. A regra só não vale na praça de alimentação. As lojas que também recebem animais são identificadas com o selo pet friendly.

Amsterdam Choperia - Um ótimo lugar localizado na Rua Dr. Tolentino Filgueiras, 75 - Gonzaga. Pra quem curte um bom ambiente, cerveja gelada e bons drinks. Tudo isso com uma atmosfera pensada na Europa.

Geração Fit - Endereço certo para quem gosta de comidinha saudável, o lugar ideal oferece água de coco para que os pets possam se refrescar. Fica na R. Dr. Lobo Vianna, 18 – Boqueirão. 

Australiano Bar - O pedacinho da Austrália em Santos também é um desses lugares amigáveis onde o seu animalzinho é recebido com um cliente especial. Para eles, uma ótima parte externa permite que os pets possam curtir a brisa do dia. O bar fica na Av. Dr. Epitácio Pessoa, 117 - Boqueirão

Vôlei na era do ouro


O campeão olímpico Rodrigão, que conquistou muitas medalhas no vôlei, planeja trabalhar durante sua aposentadoria com projetos de educação na baixada santista
Rodrigo Santana, 37 anos, tem muita história para contar. Com três olimpíadas no currículo, uma medalha de ouro e duas de prata, o atleta é um exemplo de raça e determinação. Rodrigão do vôlei, como é chamado, chegou para a entrevista de bermuda, camiseta e chinelo. Do alto de seus 2,05 metros de altura, usou o bom humor para se desculpar pelo atraso de quase uma hora. Ele decidiu que a conversa com a reportagem da Viral seria ali mesmo, no hall do prédio em que reside, em Praia Grande. 

Mas ao final da conversa, a equipe já estava no apartamento para ver de perto a coleção de troféus e medalhas. A casa de Rodrigão é típica de um homem solteiro, com algumas peças de roupa espalhadas e decoração bem clean. Para onde quer que se olhe há objetos, bolas, medalhas, troféus, fotos de alguns momentos dele em quadra e até camisas autografadas por grandes atletas.


Nem sempre Rodrigo morou em Praia Grande. Ele cresceu em Osasco, onde começou sua carreira de atleta. Porém, seus padrinhos eram de Praia Grande, então ele passou boa parte da infância na cidade, pela qual ele ficou bastante ligado. “Sempre gostei daqui e como nunca pude ter um lugar fixo por causa da profissão, fiz de Praia Grande a minha base. Antes aqui era só para passar as férias. Eu nasci em Pirituba, mas com 19 anos já estava morando aqui”. 

Aposentado das competições, ele revelou que pretende tocar alguns projetos esportivos na cidade, que, segundo ele, têm muito potencial para o desenvolvimento do jovem no esporte. Rodrigão tem conversado com o prefeito Alberto Mourão sobre alguns projetos, mas são todos para 2017. “O importante do esporte é que ele ensina valores importantes. Disciplina e dedicação, por exemplo. Então mesmo que as crianças não sigam carreira esportiva, terão uma boa base. Aqui tem muitas crianças que moram em comunidades, e o ídolo delas, muitas vezes, é o dono do morro, o traficante, isso tem que mudar. Se o ídolo dele for um jogador de vôlei, de natação, ou qualquer outro esporte, isso muda o foco. A gente tem que trazer o ídolo pra perto das crianças”.

Ele conta que, desde muito jovem, escuta que é alto, que deveria se dedicar ao basquete ou ao vôlei, mas o interesse pelo esporte ainda não tinha despertado. Aos 13 anos, incentivado pela Geração do Ouro Olímpico de Barcelona de 1992, ele decidiu fazer um teste no time do Banespa, clube de tradição do voleibol paulista e que já contava com atletas de peso, como o Tande. Rodrigão foi no último dia da peneira e acabou garantindo uma das últimas vagas. Por um ano inteiro ficou no banco, não entrou em nenhum jogo e não se destacava. Mas, com muito treino, após quase dois anos de Banespa ele conseguiu entrar em quadra em um dos jogos próximos da final do campeonato. 

“Foi uma sensação boa, pois tinha um olheiro da seleção brasileira, que me convidou para ficar de reserva na seleção infantojuvenil”. A partir daí as coisas mudaram na vida de Rodrigo. Em 1994 ele foi convidado a morar nos alojamentos do Banespa e estava no banco de reservas da seleção brasileira. Em 1995, após três anos de experiência no esporte, foi convocado para jogar no time titular da seleção brasileira infantojuvenil. Foi quando ele foi para o time do Suzano, e ficou no banco de reservas do time adulto da seleção brasileira. “Saí do Banespa pois lá nunca fui titular e o Suzano me fez uma boa proposta. Me chamaram para ser titular na minha categoria e reserva da categoria adulto”.


No Suzano, a carreira do atleta deslanchou. Depois da passagem vitoriosa de quatro anos pelo time, Rodrigão jogou em diversos clubes do exterior. O primeiro foi o Estense 4 Torri Ferrara, depois o Lube Banca Marche Marcerata, ambos da Itália, e ainda Ziraat Bankasi Ankara, da Turquia. Sua última experiência estrangeira foi no Barij Essence, do Irã. 

O último jogo oficial de Rodrigão foi em 2015, na Indonésia, onde o atleta ficou por três meses. “No meu último jogo, não teve nada demais, acho que a sensação mais emocionante foi mesmo na final olímpica, em 2012, quando eu estava deixando a seleção. Uma sensação de dever cumprido”. 

Mesmo com toda essa experiência, o clube que mais marcou sua carreira foi o Suzano, não por ser o primeiro clube grande, mas porque atletas, comissão técnica e dirigentes viviam como uma grande família. 

Segundo o atleta, algumas vezes esse amor se tornava loucura, como quando o técnico comprou 300 máscaras do filme “Pânico” e distribuiu pela rquibancada, para poder assistir a um dos jogos disfarçado, pois estava expulso e não poderia acompanhar a partida. Segundo o atleta, para monitorar a viagem da equipe a caminho do jogo, o treinador costumava pedir para que o pessoal do pedágio ligasse para ele, avisando quando eles passassem pelo ponto. “Pra você ter ideia da loucura, ele colocou o Giba para morar em frente à casa dele, pra monitorar quando ele ia dormir, a hora que acordava. Tinha vezes que ele ligava na casa do Giba e falava: ´Ô Giba, já são 23h30, tá na hora de apagar a luz`.O amor e zelo ultrapassavam os limites. Mas eu sei que era por cuidado e puramente amor” relembra Rodrigão.

Com 18 anos Rodrigão teve o primeiro filho e, um ano depois, o segundo. Por estar no início de carreira, tudo foi difícil. Ele ganhava R$ 450 por mês, cerca de R$ 800 em valores de hoje. “Eu tinha dois filhos para criar, então essa época foi bem difícil, mas o vôlei sempre foi a solução pra mim”. Segundo ele, a carreira já estava consolidada, mas não tinha estrutura para criar dois filhos, mas acredita que tudo valeu a pena. “Minha relação com eles é muito boa. Hoje tenho três filhos: o mais velho, Victor Hugo (18) joga vôlei; a minha filha, Rafaela (16) não se interessa por esporte, quer outras coisas; e o mais novo, Pedro Henrique (8) é tranquilo também, mas é pequeno, não sabe o que quer, só quer brincar. Toda aquela parte complicada do começo, de não saber como criar, o que fazer, me ajudou muito hoje. A gente sai junto, conversa, brinca junto”.


Rodrigão se sente orgulhoso e bem exigente quanto ao empenho do filho mais velho no esporte. “Opino muito nos jogos. Eu critico demais porque acho que ele é muito preguiçoso. Trouxe dois atletas aqui em casa pra treinar no começo do ano e eu mostrei o porquê de eles serem melhores. Eu falava pra gente treinar às 7h, eles estavam de pé. Já meu filho não, ficava enrolando. Fiz um campeonato e meu filho ganhou no grupo, porque estava jogando com esses dois. Na disputa em duplas foram eles que ganharam porque treinavam todos os dias com afinco, enquanto ele estava com preguiça. Eu sempre falo onde ele erra, e ele sempre me dá diversas desculpas, mas faz parte”, contou o ex-jogador. 

Rodrigão considera o Lube Banca Marche, no qual jogou entre 2005 e 2008, o melhor. “Cheguei no meio do campeonato, que já estava quase perdido, e conseguimos vencer. Foi o título que eu mais comemorei”. Ele conta que havia 12 mil pessoas no estádio e os torcedores invadiram a quadra. “Eu saí quase sem roupa”, relembra. Depois disso, voltou para o Brasil para jogar no Pinheiros Sky que, segundo ele, tinha um projeto muito bom, mas foi mal administrado. 

O voleibolista trabalhou bastante para chegar onde chegou. Rodrigão desabafa que é uma profissão difícil, pois sacrifica muitas coisas, como o aniversário dos filhos, os momentos em família, mas no final é recompensador. “Nunca imaginei essa fama. Comecei a perceber o tamanho do meu nome quando fui jogar fora, aí percebi que as pessoas estavam me observando» conta o esportista. Hoje, Rodrigão pensa em ser técnico, mas para isso é necessário estudo e muita burocracia, então ainda vai esperar.

As Olimpíadas serão no Brasil e muitas pessoas se perguntam se o País tem estrutura para o evento. Para o atleta, que já esteve em Atenas, Pequim e Londres, a resposta é sim. Segundo ele, mesmo com os problemas, há muita gente competente no Comitê Olímpico. “Chance de ganhar sempre tem, mas os times são muito fortes. Chances claras de medalha. Meu medo maior é a falta de foco”. Na opinião dele, quando o time vai jogar fora do país, existe o assédio da imprensa, mas não é igual quando se joga no Brasil. “Eu quero ver como vai ser isso, porque o atleta não pode sair da quadra às 22h e ir tomar café com a Ana Maria Braga no dia seguinte. A gente tem que fechar muito bem o grupo pra essas coisas não acontecerem”, analisa o ex-jogador. 

O vôlei na vida de Rodrigão representa tudo, toda uma história, sua vida. Ele começou a jogar se inspirando em Dante, mas conta que hoje em dia não tem um ídolo específico, pois todos os jogadores têm uma história muito legal por trás.

Tá tudo dominado


As mulheres estão dominando cada vez mais o cenário empreendedor no mundo. É um negócio que está crescendo cada vez mais e na Baixda Santista não é diferente

No século XX, o empreendedorismo feminino teve como percussoras nomes como coco chanel e amelia earthart. Atualmente, o cenário está mudando, e as mulheres têm se tornado mais prevalentes no ramo empreendedor.

Segundo dados do sebrae (serviço brasileiro de apoio às micro e pequenas empresas) de santos, 32% das micro e pequenas empresas brasileiras são lideradas por mulheres. Esse número equivale a quase oito milhões de empreendedoras no país.

Na baixada santista, as mulheres dominam o mercado: 52% das microempresas são lideradas por elas. Por isso, convidamos quatro mulheres de diferentes negócios, em diferentes estágios de desenvolvimento, para abrir a porta de seus estabelecimentos e nos contar suas trajetórias.



Conhecida como mari marques e dona de um estúdio que leva seu nome, mariângela marques, 36 anos, é professora de pilates. Formada em educação física pela fefis, ela conta que sempre se interessou mais pela saúde do que pela área fitness, mas nunca havia encontrado algo que realmente a representasse. Foi quando começou a fazer cursos especializados, estágio na área e se encontrou no pilates. “Depois de uma crise financeira resolvi abrir meu negócio. Comecei com um lugar pequeno e alugado e foi acontecendo”, conta.

Hoje, com um ano na atividade, mari marques tem 60 alunos e se diz satisfeita com o número pelo pouco tempo do empreendimento. Mas ela não vai parar por aí, deseja ampliar ainda mais seu espaço e aumentar a quantidade de alunos.

Para montar seu estúdio, mari decidiu se qualificar no empreendedorismo e fez cursos no sebrae, que são gratuitos e dão certificado. Ela também está se aperfeiçoando no pilates e  cursa a segunda pós-graduação na área.

Com a crise batendo à porta, a empreendedora tenta inovar para que seu negócio não pare de crescer. “é preciso buscar alternativas, então fiz convênios com duas empresas, cujos funcionários têm direito a desconto. Também coloco anúncio em jornais locais, faço propaganda na internet, promoções, pacotes e assim por diante. Vou testando” conta.



Adriana vieira tinha 20 anos quando conheceu a yoga.   Estava na faculdade de jornalismo, fez uma entrevista sobre o assunto e, no momento em que entrou na aula de yoga, se apaixonou. Após muito estudo, se tornou doula e resolveu montar seu espaço e fazer da orientação e assistência a gestantes o seu ganha-pão.

Há seis anos fundou o namaskar yoga, um centro dedicado a gestantes e casais. Para esse trabalho, conta com a ajuda de outras doulas e fisioterapeutas. Antes de criar seu espaço e ser uma profissional conhecida na região, adriana tinha um grande interesse pela yoga e resolveu estudar sua cultura e a associação dessa prática com temas como gravidez e parto. 

Viajou para índia, holanda, inglaterra, rodou o mundo em busca de conhecimento. “nunca consegui ficar parada, sempre tive que estudar ”, conta adriana.

Em 2006 começou a trabalhar como doula. “é uma profissional que, acompanhada de um médico ou de uma parteira, prepara os casais para terem uma gestação saudável e para que eles tenham liberdade nas escolhas” explica adriana.

Atualmente, os preços cobrados pelas profissionais variam dependendo do tipo de aconselhamento à gestante, e também da experiência e formação que a profissional tem. Para cobrar, elas combinam com o casal o tempo que eles vão precisar de sua assistência. O pacote custa, em média, entre R$ 800 a R$1500 por gestação.



um ano larissa cavalcante criou a papelaria artesanal skets. É uma loja online que vende variados cadernos artesanais. O site para comprar os produtos está em construção, mas isso não é problema, pois a loja funciona no instagram com o usuário @lojaskets. Todas as encomendas são feitas por email ou whatsapp.
  

“O instagram me ajudou muito. Por causa dele já consegui clientes no rio e em minas, lugares que eu nunca imaginaria vender”. 

Os preços variam de acordo com o modelo. Os personalizados que levam um desenho feito por ela na capa, vão de r$ 70 a r$ 100. É um trabalho bem personalizado, então os preços variam se são estampados ou lisos, maiores ou menores e qual o tipo de papel usado.

Todos os produtos da loja têm o design pensado por ela e são feitos artesanalmente. Ela passa o dia costurando, desenhando e estudando, em busca de inspiração. “eu aprendo muito, sempre busco vídeos na internet para aperfeiçoar meu trabalho”.

Hoje, seu maior sustento é a skets, mas ela também trabalha como freelancer, fazendo artes para sites. No começo, para se organizar, ela ia atrás de plataformas na internet para conseguir administrar seu dinheiro. “essa parte burocrática é bem complicada, mas com o tempo você vai aprendendo”.

Larissa já tem vários planos para o futuro. Tem ideias de novos produtos e novos projetos, sempre envolvendo sua grande paixão e talento: a arte.      

Sua maior dica para as moças que querem ter seu próprio negócio é ter disciplina e se inspirar muito. “use todas as redes sociais que você puder, pesquise. Referência é ótimo ,pois para você inovar tem que estar ciente do que as pessoas já fizeram. Tem que correr atrás”.



Ludmilla rossi, antes  mesmo dos 20 anos de idade, já tinha aberto a mkt virtual, uma empresa que administra as redes sociais de grandes nomes como pampili, rei do mate, kascão, instituto natura, entre outros. Com uma equipe de 50 pessoas, ludmilla comanda todo o setor criativo da empresa.  “quando fundei a mkt virtual, foi tudo muito rápido, justamente na velocidade do crescimento da internet”, conta a empresária.

Na época em que ela resolveu se aventurar, a internet havia acabado de chegar ao brasil. Buscar clientes e se posicionar no mercado com pouco dinheiro e trabalhar num ritmo incessante, eram as principais dificuldades para a jovem empresária. 

Ludmilla acredita que hoje a consciência das pessoas é maior em relação aos negócios criados e geridos por mulheres. Porém, ela já ouviu coisas absurdas ao longo de sua carreira. “em uma entrevista de emprego onde eu era a entrevistadora, o candidato ficou abismado ao saber que, além de empreendedora, eu era designer. E soltou a frase: achei legal saber que uma mulher faz isso”.

Para inovar e manter tudo funcionando apesar da crise econômica, ludmilla diz que reinvenção e aumento de eficiência são o segredo. “o primeiro passo não é demitir, mas avaliar, treinar os funcionários para uma nova atitude”, comenta a designer. Segundo ela, você tem que olhar para as dificuldades e saber se reinventar.

Estudar também faz parte do processo para elevar um empreendimento, segundo a empresária. “por não ser formada, sempre busquei muitos cursos e com a maior amplitude possível”, explica ela.

Já para quem deseja abrir sua própria empresa, ludmilla aconselha fugir da linha de mediocridade e se especializar. Ser tolerante é outro ponto primordial. “muitas pessoas podem ensinar algo a você que irá mudar a sua vida. Aproveite a teoria dos cinco – você se torna uma mistura das cinco pessoas com as quais mais convive”, sugere.

Tenha coragem para formar sua opinião, receita a empresária, que ainda finaliza com uma frase de efeito de coco chanel: “o mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça.” 

O primeiro mandato de um vereador

Nesta reportagem, abordamos sobre o primeiro mandato de vereadores da região. Eles entram na política com o discurso de fazer a diferença, mas conseguem?


A maioria dos vereadores chegam à Câmara motivados por amigos e familiares. “Você é bom! Conhece todo mundo. Vai ser vereador”. E, independentemente dos motivos que fazem um munícipe qualquer querer representar todos os outros de sua cidade, como salário e popularidade, o primeiro mandato é quase sempre um choque de realidade.

Chegando ao final da primeira legislatura, os vereadores Kenny Mendes (DEM) e Evaldo Stanislau (Rede), de Santos; Genivaldo do Açougue (PSD), do Guarujá, e Ricardo Corrêa (PT), de Peruíbe, ouvidos pela reportagem da revista Viral reclamam praticamente das mesmas dificuldades.

Entre as queixas mais comuns está a expectativa de conseguir aprovar aquelas ideias prometidas durante a campanha, de ser reconhecido por bons projetos, e de ter voz ativa no plenário. Uma espécie de herói. Mas, na prática, a burocracia faz com que um simples requerimento vire uma novela.

Já o eleitor, mesmo que às vezes nem lembre em quem votou, relega o edil ao papel secundário de quem pode fazer um favorzinho aqui ou ali. Herói ou mero coadjuvante?

Engenheiro de formação e professor universitário há quase 20 anos, Kenny Mendes (DEM) foi eleito vereador de Santos em 2012, após incentivo de centenas de seus alunos. Em seu primeiro mandato, o canadense naturalizado brasileiro sofreu com o idealismo de quem veio de longe para tentar ser um divisor de águas na política santista.

“Por não ser de Santos e vir de outro país, entrei na Câmara com muitos ideais, sonhos e ambições. Quis retribuir o carinho e recepção que tive no Brasil e na região. Fui incentivado pelos meus alunos, e não me arrependo. Amo o que faço, e acho que consegui tirar várias coisas do papel, mas, na prática, sabemos que a maioria dos trâmites não depende só de boa vontade. A política poderia ser mais dinâmica. O processo entre executivo e legislativo é muito difícil. A burocracia desmotiva. Não vou estar vivo para quando o processo for diferente”, lamenta o professor.

O primeiro projeto apresentado por Kenny após ser eleito, em 2012, e tomar posse, foi o de instalar ares-condicionados nas escolas públicas de Santos. Ele nem imaginava a batalha que teria pela frente. No primeiro ano, os recursos não foram destinados pela Secretaria de Educação e só doze meses depois foram aprovados no orçamento previsto para 2015. Com isso, os equipamentos foram comprados, mas aí veio outro problema: os colégios não comportavam a instalação por causa da fiação elétrica. Obras foram iniciadas, e, atualmente, quase um mandato depois, apenas 8% das salas de aula têm refrigeração.


Preparação para a Legislatura
Durante as campanhas eleitorais, os futuros vereadores são orientados por membros do partido e contratam, em caso de bom aporte do partido, uma equipe multidisciplinar para que vençam nas urnas e cheguem à Câmara preparados. Mas como se preparar? Para o médico Evaldo Stanislau (Rede), eleito vereador de Santos para o primeiro mandato também em 2012, a política – e principalmente a politicagem -, só se aprende na prática.

O legislativo municipal possui limitação constitucional. Mesmo um ótimo projeto para a população depende de trâmites e comissões parlamentares, principalmente se demandar grandes investimentos dos cofres públicos.
“Dentre a expectativa e a realidade (do primeiro mandato), claro que existe um grau de frustração, de não ser exatamente o que esperávamos. Algumas coisas a gente só entende na prática. Entre as principais frustrações está a limitação constitucional da função do vereador, que no campo propositivo é muito cerceado, uma vez que há boas ideias, que podem ser dadas como inconstitucionais e vetadas já nas comissões, principalmente se gerarem despesas. É um aprendizado diário”, desabafa o doutor.

O que faz um vereador?

Além das dificuldades e limitações já apresentadas por Kenny Mendes e Evaldo Stanislau, os primeiros passos na política regional mostram outros dois grandes vilões: a generalização da classe e a falta de conhecimento da função do vereador.

Os vereadores precisam conviver com certos clichês, como “políticos são todos iguais” e “trabalham pouco e ganham muito” e, em compensação, boa parte dos eleitores sequer sabem as competências, atribuiçoes e deveres daqueles que escolheram para representar o município.

De forma teórica, o vereador é responsável pela elaboração, discussão e votação de leis para a municipalidade, propondo benfeitorias, obras e serviços para o bem-estar da população. Também são responsáveis pela fiscalização das ações tomadas pela administração municipal, ou seja, o prefeito.

Já na prática, coleta de lixo, saneamento básico, buraco na rua, falta de policiamento, fila no hospital e preços do mercado - problemas diversos e de responsabilidade de outras esferas da administração pública -, são todos culpa de “mais um político ladrão”. Ou da Dilma?

Givaldo Feitosa, mais conhecido como Givaldo do Açougue, nasceu em Brejo Grande, interior de Sergipe, e mudou-se para o Guarujá ainda criança. Com um açougue em Vicente de Carvalho, conseguiu dar uma melhor situação à sua família. Conhecido na cidade, se tornou vereador em 2012, pelo PSD. O nordestino garante que não se tornou político pelo dinheiro e que se considera uma “exceção”.

“Foi aqui na Baixada Santista que consegui ter o padrão de vida melhor do que na minha cidade, diferentemente do que meus pais tiveram. Mas foi com muito suor e luta que consegui isso e não como vereador. Entrei na política para ajudar a população do Guarujá e não para ganhar mais dinheiro. Mas sei que há uma generalização que todos são corruptos, devido a essa roubalheira que vem acontecendo no país”, defende-se Givaldo.

Givaldo também fala que a expectativa, quando se está de fora da política, é de chegar e fazer tudo – ou quase tudo – que considera importante para a sua cidade. No entanto, na prática, vê que não é assim.

“Quando você está fora da política, você fica na expectativa de que você vai conseguir fazer tudo por sua vontade, sua força e seu braço, mas não é assim. Na Câmara, você encontra várias cabeças que não pensam iguais a sua. Quando se tem alguns projetos de lei, você tem que discutir, dialogar e, pela maioria das vezes, o teu projeto tende a não seguir em frente”, lamenta.

Reeleição 
Apesar dos queixumes e pesares, a maioria esmagadora dos vereadores, incentivada pelo bom salário, desafio ou apoio do partido, arrisca a reeleição. Se a primeira vitória nas urnas foi uma aposta da população da cidade, o “bicampeonato” vira, em linhas gerais, a confirmação de um bom trabalho nos primeiros quatro anos.

“A primeira eleição não é uma avaliação, é uma aposta. As pessoas mais próximas, como família, amigos, alunos, no meu caso, apostam em você, confiam em um bom trabalho, te impulsionam, sabem do que você é capaz. Mas os novos eleitores, não. Nós torcemos para que votem conscientemente, que se identifiquem com os projetos e ideias, e que te deem um voto de confiança. Depois disso, são quatro anos de primeiro mandato e a reeleição, ou não, se torna uma avaliação”, opina Kenny.

“Ser reeleito é uma forma de mostrar que deu conta do recado. Não se pode perpetuar no cargo, mas também não concordo com ser eleito em primeiro mandato e depois pular fora do barco ou ter novas pretensões políticas antes de receber a avaliação dos munícipes”, completa o vereador do DEM.

Assim como em todas as profissões, há os bons e os ruins. Na política não é diferente, mesmo com a tendência de que se olhe apenas para os corruptos. Entre os vereadores, mais especificamente, também há os que fazem, os que tentam fazer e os que não fazem. Para que a Câmara seja composta por representantes fidedignos da população, é preciso votar de forma consciente, fiscalizar o escolhido e saber de suas responsabilidades. Caso contrário, os clichês nunca deixarão de existir. 



Cargo político é profissão? 
Para muitos, o cargo político - seja como vereador, deputado ou qualquer outro -, é encarado como profissão, daí o termo popular “político profissional”. E não que a voz do povo seja a voz de Deus, mas em muitos casos existem, sim, vereadores que desistem já na primeira legislatura. É o caso do vereador de Peruíbe, Ricardo Corrêa (PT). 

Petista desde a década de 80 – quando o partido foi fundado –, ele conta que continua como militante até hoje. Em 2002, foi candidato a deputado estadual representando os bancários, mas não conseguiu ser eleito. Já em 2012, a história foi diferente ao conseguir se eleger como vereador de Peruíbe; cidade que escolheu para legislar por seus pais viverem no local há 40 anos.

Já estando na Câmara, foi líder da prefeita Ana Preto (PTB) durante grande parte do mandato e foi um dos que mais trouxe emendas para o município. Ainda assim, seu envolvimento com as questões da cidade e seus munícipes não foi suficiente para ele buscar um novo mandato. A justificativa?

Apesar da reportagem ter apurado que o político não tem um bom relacionamento com seus colegas de Câmara e que esse seria um dos motivos de não buscar uma reeleição, Corrêa explica de outra forma. Ele se diz contra a cultura presente no meio político nacional de se perpetuar no poder e opina que existem vários vereadores que estão há, por exemplo, quatro mandatos e não fizeram “nada” para justificar todos estes anos de Câmara Municipal.

Para isso, o vereador pretende formar sucessores jovens, que, segundo ele, são a esperança de uma política melhor. “Já fiz a minha parte. Agora gostaria muito de ver alguns jovens do meu partido no meu lugar”, diz o petista, que, semanalmente, conduz reuniões com jovens de seu partido.

No legislativo municipal, ele apresentou apenas um projeto de lei e diz que teve outras formas melhores de beneficiar a cidade do que as tradicionais atribuições de um vereador. “Vi que a grande maioria dos projetos eram de pouca relevância ou utilidade. E, quando são aprovados, na maioria das vezes não são colocados em prática”, explica.

Em contrapartida, o vereador explica que uma das formas de justificar seu trabalho pela cidade foi buscando emendas parlamentares advindas das câmaras estadual e federal, aproveitando o grande número de amigos deputados do PT. No total, ele conseguiu investimentos de aproximadamente R$ 2 milhões.

A importância do “LIKE”
Propomos a você um exercício: vá em sua rede social preferida, e pesquise pelo nome do político mais velho que lembrar. Até ele terá o seu perfil. Por quê?

Há um movimento recente na política brasileira de tentar aproximar o eleitor do eleito. Em um cenário ríspido e cercado de concorrência, qualquer diferencial pode ser decisivo. E é assim que a presença na web é vista.

Até pouco tempo atrás, não se dava a devida importância ao relacionamento com o munícipe na internet. “Ninguém vai votar em mim por causa disso”. Hoje, o discurso já é diferente e há investimento maciço em boas apresentações on-line. Nas eleições municipais há quatro anos, por exemplo, uma lei desautorizou o patrocínio a publicações no Facebook às vésperas das eleições, que fazem com que determinada mensagem chegue a um número bem maior de pessoas daquela cidade em específico.

“É um trabalho contínuo e de longo prazo, pois pressupõe a construção de relacionamento e também o fortalecimento da cidadania e do sentimento de pertencimento dos cidadãos pela sua cidade. É preciso estar sempre perto da população”, diz Amanda Guerra, coordenadora de mídias sociais da Prefeitura de Santos.

Há a expectativa de que as próximas eleições municipais sejam cercadas por tecnologia. Vários pré-candidatos já iniciaram campanhas nas redes sociais e querem “largar na frente”. Se há pouco tempo era comum apenas buscar votos pessoalmente, em eventos com lideranças de bairros, hoje é possível ter a empatia do eleitor também por meio da tela do computador ou do celular.

“Eu aposto em uma eleição municipal cercada de disputas nas redes sociais. Candidatos que mostravam rejeição já estão presentes com perfis oficiais, vídeos, textos. A presença na internet é cada vez mais importante e não adianta fazer de qualquer jeito. Quem procura especialistas e investe em tecnologia, sai na frente”, garante o jornalista Aldo Neto, especialista em redes sociais.

Atualmente, uma parte significativa do eleitorado procura pelos políticos nas redes sociais. Alguns esperam pelos projetos aprovados e querem saber mais do dia a dia de quem escolheu nas urnas, enquanto outros muitos cobram por melhorias do seu cotidiano e/ou pedem favores.

Independentemente dos motivos que fazem o munícipe procurar por um determinado político na web, é raro algum deles não ter pelo menos um perfil. E há quem esteja presente em todas as redes sociais, com publicações diárias e uma grande equipe de comunicação e marketing na retaguarda. É o caso de Kenny Mendes, vereador de Santos pelo DEM.

Eleito em 2012 para o primeiro mandato, o professor baseou sua campanha na proximidade com a população e prometeu fazer um “Big Brother” do seu a dia caso eleito. E deu certo. Nono vereador mais votado em Santos, Kenny tem toda a sua agenda publicada nas redes sociais. E mais: o edil atende a necessidades dos munícipes expostas por mensagens ou comentários no Facebook.

“Disse desde o começo que não ia aparecer apenas em ano eleitoral. Prometi que faria um BBB político, e é o que faço. Todos os meus trabalhos, mais de 3000, estão disponibilizados. Tenho o hábito de filmar todas as ações. Arrumei um monte de inimizades no Plenário. Dizem que pega mal, que a eleição ainda vai demorar. Mas quando veem as pesquisas, com meu nome em evidência, graças a Deus, percebem que esse tipo de política antiga não existe mais. Muitos que me seguem nem sabiam as atribuições de um vereador”, aponta Kenny.

O professor possui uma equipe, com jornalistas e publicitários, e o projeto audiovisual “Na Rua” tornou-se referência. Kenny visita bairros da cidade de Santos e ouve os moradores sobre as necessidades do local. Tudo filmado e publicado na web.

“Cada vídeo é uma viagem por um bairro diferente. Quem está no bairro não quer se ver esculachado, quer que mostre o problema, mas que mostre pessoas. É um roteiro. A demanda é grande, é até difícil de controlar. Já fui de madrugada ao Posto de Saúde para ajudar pacientes que estavam horas na fila. Recebo pré-candidatos a vereador da Baixada Santista, de São Paulo e até do Rio de Janeiro para conhecer o Na Rua. Recebo todos, independentemente do partido. Fico feliz por poder ajudar”, completa o vereador, que é canadense, mas naturalizado brasileiro.

O Black é Power





Didi Gomes e Preta Rara são duas cantoras negras da cidade de Santos. Nesta entrevista, elas soltam a voz em uma conversa sobre música, machismo e preconceito

Elas são de gerações diferentes, têm estilos musicais, repertórios distintos e atraem públicos completamente heterogêneos. O ponto comum entre a rapper Preta Rara, 30 anos, e a sambista Didi Gomes, 40, é que as estrelas que hoje enchem de suingue a noite santista já tiveram que bater o pé contra o machismo e o preconceito racial. A convite da revista Viral as cantoras aceitaram o desafio de dividir o microfone e conversar sobre suas histórias e bandeiras. O maior desejo de ambas é pavimentar um caminho para que outras mulheres possam cavar seu espaço em uma indústria dominada pela testosterona. Sem rodeios, as cantoras contam como mudaram o rumo de suas vidas por meio da música.




O Samba me chamou


Didi Gomes como é conhecida, ou Maria Edith, seu nome de batismo, diz que o gosto musical vem do choro. “Sou nascida e criada em um ambiente totalmente adulto, não tive uma infância normal e sou filha única”.

Com uma carreira consolidada nas rodas de samba, Didi diz que muita coisa mudou desde sua adolescência. “Em muitos lugares onde eu ia quando era adolescente, a roda era estritamente de homens. Hoje em dia já vejo mulheres tocando. E o melhor é que elas tocam de tudo, todos os instrumentos musicais que você possa imaginar”.

Apesar de ter sua voz muito comparada com a de Elis Regina, a própria Didi acha a comparação um exagero. “Ouço Elis desde os meus seis anos e simplesmente adoro. A primeira música que me inspirou a cantar foi Águas de março, talvez porque eu seja do signo de Peixes e apaixonada pelo meu mês, então, cresci cantando esta e outras músicas dela. Com isso, as pessoas fazem muitas comparações, inclusive com a filha Maria Rita. Eu realmente agradeço, mas não acho parecido”.




Inspiração, papel e caneta na mão

De turbante e batom azul para a entrevista, é nítido que Joyce Fernandes, conhecida como Preta Rara, veio para balançar as estruturas e marcar sua geração através da luta e do movimento hip hop. Sua vontade de quebrar paradigmas é clara.
A paixão de Preta pelo rap é antiga. Foi herdada do pai, que escutava
black music. “A música está presente na minha vida desde 1985”, conta. Aos sete anos começou a compor e não saiu mais desse universo. 

Apesar de conhecida no meio da música e trabalhando como rapper há mais de dez anos, Preta ainda é alvo de preconceito. “É um universo muito machista, cheio de opressões”, desabafa.


Ao mesmo tempo em que tenta peitar o preconceito, com suas canções, se liberta. “Por meio da música, me aceitei como mulher negra e gorda. Costumo afirmar que em tudo que faço ou sempre fiz, a música esteve muito presente”.


Sem desafinar, Preta abre um sorriso largo para contar da sua volta por cima. “ A maior dificuldade que enfrento é por ser mulher preta. Em todos os lugares a gente tem que provar que sabe fazer. Algumas vezes chego para fazer um show e tenho que usar o DJ da casa. Todos conseguem cantar, mas quando chega na minha vez, o meu som é o pior, o microfone começa a pipocar, não acham minha base instrumental. Infelizmente passo por isso”.


A cantora também é professora de História e dá aula para crianças. Porém, apesar de amar ser professora, sonha um dia em poder viver só da música. “A quantidade de shows que tenho hoje supera o meu salário de professora, mas ainda tenho um pé atrás de largar tudo e me arriscar. Querendo ou não, é um salário certo todo mês e o mundo do rap é bem difícil”.


Preta Rara também é uma representante do movimento feminista na Baixada Santista. Para a rapper, as mulheres não devem se calar. “Muitas mulheres aturam opressão todos os dias e, se não fosse o feminismo para me alertar, acharia que isso é normal”.

Ela pretende que suas músicas sejam divulgadas por todo o Brasil. “Minhas composições estão tocando bastante em algumas rádios de Moçambique e Angola, então daqui alguns anos espero já ter feito algum show lá”.

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